O investimento no SNS está em mínimos históricos

porMário André Macedo

01 de junho 2023 - 16:21
PARTILHAR

Poupanças de curto prazo no investimento no SNS, correspondem a maiores despesas de longo prazo, degradação do serviço público assim como a uma relação de dependência e captura pelos grandes grupos privados da saúde.

Não é segredo para ninguém que o SNS tem sofrido sucessivos ataques e um profundo desinteresse por parte dos vários governos.

O investimento está em mínimos históricos: em 2022, foi anunciado com pompa e circunstância, que o serviço público de saúde teria direito a um recorde de investimentos, prometeram-nos 555 milhões de euros. Na realidade, o investimento ficou-se pela metade, apenas 230 milhões. A pandemia não inverteu este rumo. Pelo contrário, retirando o valor diretamente relacionado com o combate à Covid-19, o valor do investimento em saúde assume dimensões ainda mais preocupantes.

Temos de ser claros, não há outra forma de o dizer: poupanças de curto prazo no investimento, correspondem a maiores despesas de longo prazo, degradação do serviço público assim como a uma relação de dependência e captura pelos grandes grupos privados da saúde.

Observámos, durante décadas, as profissões serem tratadas como descartáveis, como meros números, como se fosse indiferente que cada vez mais médicos, enfermeiros, e outros profissionais, abandonassem o SNS. Nós bem avisamos que não há cuidados de saúde sem profissionais de saúde. Que era urgente rever carreiras e salários. Mas as opções sempre passaram pela desvalorização salarial e aumento da precariedade laboral. Os resultados estão à vista, e é difícil de compreender a surpresa que demonstram pela carência que hoje existe de profissionais de saúde. Não é por acaso que as urgências estão condicionadas, ou que cada vez mais pessoas perderam o acesso ao seu médico de família. Ontem não quiserem investir no SNS e nos seus profissionais, hoje pedem ajuda aos privados com um custo muito maior para todas e todos nós.

A esquerda progressista tem alternativa para a saúde

A esquerda progressista tem alternativa para a saúde. Não defendemos apenas a manutenção das coisas como elas estão. Defendemos uma saúde livre do conservadorismo e livre do corporativismo. É com muito orgulho que digo que o Bloco de Esquerda foi o primeiro partido a defender que as profissões devem ser livres para atingir todo o seu potencial. Há muito talento desaproveitado nos enfermeiros, nos farmacêuticos, nos técnicos, que poderia estar a ser aproveitado em benefício do cidadão, mas que por falta de coragem política, estão tragicamente a perder-se.

Portugal parte para este caminho com quarenta anos de atraso. Este partilha de responsabilidades é o normal em qualquer país da OCDE. Não temos mais tempo a perder!

Na saúde só há três visões! Quem quer destruir e desmantelar o serviço publico de saúde, quem quer manter tudo como está com medo de enfrentar os grandes interesses do setor, e o Bloco de Esquerda, que tem uma visão de reforço e crescimento do SNS. Que luta por uma saúde com qualidade, equitativa e verdadeiramente universal.

O acesso equitativo a cuidados de saúde de qualidade garante coesão social, desenvolvimento económico e viabilidade dos projetos de vida de todas e todos nós.

Sobre o/a autor(a)

Mário André Macedo

Enfermeiro especialista em saúde infantil e mestre em saúde pública.
Termos relacionados: