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Fukushima… em Ferrel lá para Peniche

Graças a mais uma herança do PREC, hoje não estamos a comparar Fukushima com Ferrel…

Em 15 de Março de 1976, o povo de Ferrel, uma aldeia situada a 4km de Peniche, marchou unanimemente do centro da freguesia até aos campos do Moinho Velho, a 4km, onde se tinham iniciado obras relacionadas com a projectada «primeira» central nuclear portuguesa e exprimiu a sua categórica recusa de que ela fosse ali construída.

Ao som dos sinos o povo de Ferrel (estima-se que rondava as 1500 pessoas) fez relembrar, mais uma vez, que "O povo é quem mais ordena" e exprimiu o seu descontentamento em relação à localização da central naquela região. 

Até 1978 procederam-se a várias manifestações tanto por populares como por organizações ambientalistas. Foi o tempo do "Nuclear? Não! Obrigado."

Após estas manifestações as entidades responsáveis pelo projecto decidiram recuar no que respeita á sua execução.

Hoje quando assistimos à catástrofe iniciada pelo terramoto no Japão, nas centrais nucleares, com explosões, evacuação de milhares de habitantes, não podemos deixar de pensar em Portugal.

Num país com elevadíssimo risco de grandes terramotos, gente a pensar num bom negócio (como sempre à custa de dinheiros públicos) tentou – e ainda tenta – instalar em Portugal centrais nucleares.

Um povo ainda a viver no espírito das grandes movimentações de massas e participação cidadã da Revolução de Abril, foi capaz de barrar o caminho aos interesses económicos.

Graças a mais uma herança do PREC, hoje não estamos a comparar Fukushima com Ferrel…

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
Termos relacionados Energia nuclear
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