Rodrigo Sousa

Rodrigo Sousa

Estudante de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Passos Coelho apareceu pronto para salvar a direita portuguesa e ser o seu “compasso moral”, ao comparecer numa apresentação do livro “Identidade e Família”. Assim se desviam as atenções: não se fala das opções políticas do Governo, nem sequer dos casos que o têm abalado.

Estamos caminhando lentamente para um cenário pós-eleitoral onde voltamos a ter um país inteiro esquecido. Uma parte do país que não se sente representada, não se sente ouvida e que se sente sobretudo isolada. Adiar essas questões só perpetua o ciclo de desigualdades que temos vindo a enfrentar.

Que o campo social das ruas nunca se esqueça que a construção de 2024 começa em cada grito de protesto, que não queremos apenas tapar crises imediatas, mas também desafiar as raízes estruturais que nos trouxeram a este cenário.

É urgente começarmos a fazer as exigências necessárias que tanto precisamos: uma mobilização por aqueles que realmente não desistem do nosso Estado Social, da justiça e da igualdade fraterna, por aqueles que querem levar este país a sério.

Estamos perante uma Academia que lentamente perde todos os seus objetivos históricos: a promoção da mobilidade social, a equidade, o debate das ideias, o espírito democrático revolucionário dos estudantes.

Apesar de ser uma época única, toda esta efemeridade não devia ser um cenário distante ano após ano: o investimento cultural que acontece nestes territórios a nível de coletividades e cultura local devia ser uma realidade contínua.

Tudo isto, é lastimável: arranjam-se explicações fáceis puramente ideológicas para ignorar como a desigualdade estrutural condiciona o sistema de ensino e destrói-se lentamente a escola pública, uma das maiores conquistas de Abril, em vez de se debater como corrigir os seus defeitos.