Fotos de Miguel Lopes.
Ao som dos bombos, chocalhos e adufes e cânticos da região, habitantes do Fundão, Idanha-a-Nova, Penamacor, Castelo Branco e outros concelhos da Beira Baixa vieram a Lisboa manifestar oposição à construção dos projetos de megacentrais solares Sophia - com 1.700 hectares - e Beira - com 675 hectares.
"A Serra da Gardunha é a serra onde eu nasci e vão enchê-la de painéis solares", disse à Antena 1 uma habitante de Idanha-a-Nova com 84 anos, acrescentando que “eu não posso olhar para aquela serra toda negra quando ela era verdinha". Além dos que viveram toda a vida na região, neste protesto participaram também pessoas que trocaram a vida nas cidades em Portugal e na Europa e decidiram criar raízes nas aldeias que agora estão na mira do ramo fotovoltaico da multinacional petrolífera BP.
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Também em declarações à estação pública de rádio, Samuel Infante, da Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional, uma das promotoras da manifestação, afirmou que “somos favoráveis à energia solar, mas um solar descentralizado em áreas artificializadas e não em áreas naturais. Não é energia renovável quando destruímos carvalhais, milhares de hectares de montados de sobreiro e azinheira, linhas de água, arrancar olivais, destruir património histórico e a paisagem”.
“Estamos a falar de áreas protegidas, o Parque Natural do Tejo Internacional, o Geoparque Naturtejo, tudo áreas classificadas. Não faz qualquer sentido, é uma aberração”, concluiu o ativista.
O projeto Sophia já teve parecer negativo dos autarcas da região no processo de consulta pública. A presidente da Camara de Idanha-a-Nova e também vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, Elza Gonçalves, disse à Antena 1 que já contactou a ministra o Ambiente, que prometeu uma audiência com os autarcas.
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Quanto ao argumento que os painéis serão instalados numa região abandonada, a autarca responde que “isso revolta-me porque a região não está abandonada. Os terrenos onde querem implementar os painéis, muitos deles são produtivos” com atividade agrícola.
Outra preocupação é o impacto que o mar de painéis na paisagem terá no turismo que tem sido uma aposta para atrair investimento e fiar comunidades. “Houve muito investimento em empreendimentos turísticos, estamos a falar das aldeias históricas. Sem dúvida não vão vir visitantes para estarem em Monsanto a olharem para a paisagem e verem painéis solares”, afirmou Elza Gonçalves.