Marisa Matias

Marisa Matias

Dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.

Esta semana um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio.

A notícia não é de hoje. Há cerca de um ano que a Ana Gomes decidiu não voltar a candidatar-se ao Parlamento Europeu, mas foi esta semana que se fez a notícia.

Na Europa parece ter-se esquecido que os muros, tal como qualquer barreira não impedem apenas as entradas. Estes são também os muros que nos têm reféns a todos de uma política que ou se trava ou só pode acabar mal.

Derrotar a extrema-direita requer novas narrativas de identidade colectiva que abarquem o pluralismo. Novas políticas que reintroduzam os direitos sociais onde a austeridade cavou mais fundo e a cultura humanista apoiada em colectivos não amedrontados.

A tentativa de apropriação do descontentamento por parte da extrema-direita portuguesa é um facto e não matéria de opinião. Isso não é uma novidade, mas é preocupante.

Só a paz nos pode salvar da guerra, só a eliminação das desigualdades nos pode salvar da insegurança. Que tal ter estes pontos de partida?

Numa sociedade democrática, garantir casa para toda a gente tem de ser prioridade política, porque é condição essencial no combate a todas as formas de exclusão e de desigualdade.

Já me emocionei muitas vezes no Parlamento Europeu. Sei bem que o lugar não é associado a tais sentimentos. Também já senti frustração, desalento, tristeza, mas deixem-me falar-vos da emoção.

Em relação à luta dos estivadores em Setúbal, pergunto-me: quando é que se tornou normal o Estado investir recursos públicos na sabotagem de uma paralisação legítima?

A complacência com os vistos gold contrasta com a desumanidade face a migrantes e refugiados. Não é tarde para lidar nem com uma, nem com outra.