A notícia não é de hoje. Há cerca de um ano que a Ana Gomes decidiu não voltar a candidatar-se ao Parlamento Europeu, mas foi esta semana que se fez a notícia.
Na Europa parece ter-se esquecido que os muros, tal como qualquer barreira não impedem apenas as entradas. Estes são também os muros que nos têm reféns a todos de uma política que ou se trava ou só pode acabar mal.
Derrotar a extrema-direita requer novas narrativas de identidade colectiva que abarquem o pluralismo. Novas políticas que reintroduzam os direitos sociais onde a austeridade cavou mais fundo e a cultura humanista apoiada em colectivos não amedrontados.
A tentativa de apropriação do descontentamento por parte da extrema-direita portuguesa é um facto e não matéria de opinião. Isso não é uma novidade, mas é preocupante.
Numa sociedade democrática, garantir casa para toda a gente tem de ser prioridade política, porque é condição essencial no combate a todas as formas de exclusão e de desigualdade.
Já me emocionei muitas vezes no Parlamento Europeu. Sei bem que o lugar não é associado a tais sentimentos. Também já senti frustração, desalento, tristeza, mas deixem-me falar-vos da emoção.
Em relação à luta dos estivadores em Setúbal, pergunto-me: quando é que se tornou normal o Estado investir recursos públicos na sabotagem de uma paralisação legítima?