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Argentina suspende pagamento da dívida a credores locais

O governo argentino anunciou que entrará em incumprimento seletivo com os seus credores locais, tendo adiado para 2021 o pagamento da dívida em dólares. O governo procura agora conseguir um acordo para a reestruturação da dívida com os credores internacionais.
Governo de Alberto Fernández é forçado a medidas duras. Foto: Mídia NINJA/Flickr
Governo de Alberto Fernández é forçado a medidas duras. Foto: Mídia NINJA/Flickr

O governo argentino anunciou que entrará em incumprimento seletivo com os seus credores locais, tendo adiado para 2021 o pagamento da dívida em dólares. O anúncio é feito numa altura em que o país tenta conter a perda de reservas internacionais (com destaque para o dólar) enquanto os esforços estão concentrados no combate ao coronavírus.

No decreto em questão, pode ler-se que se "Determina o adiamento dos pagamentos dos serviços de juros e de amortizações de capital da dívida pública nacional emitida através de títulos expressos em dólares norte-americanos, emitidos sob lei argentina até 31 de Dezembro de 2021 ou até data anterior que o Ministério da Economia determinar”. A medida liberta cerca de 8,5 mil milhões de dólares que teriam de ser pagos até ao final deste ano.

A medida foi anunciada num contexto em que o governo procura chegar a acordo com os credores internacionais para uma reestruturação da dívida. O presidente Alberto Fernandez diz que o país não tem recursos disponíveis para fazer face às obrigações, tendo o governo sido forçado a usar reservas do banco central, algo que terá um limite a médio prazo. Entretanto, a agência de rating Fitch já reviu em baixa a avaliação do país, mas os investidores internacionais parecem ter reagido favoravelmente à decisão do governo.

O panorama económico argentino já era difícil antes da pandemia. Em 2019, o país registou uma combinação de inflação elevada (53,8%) e quebra do produto (2,1%), sendo que se previa que a recessão se arrastasse em 2020. O surto de coronavírus veio agravar esta tendência e acentuar as dificuldades do país, que procura agora obter um acordo para a renegociação da dívida com os credores internacionais.

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