A produção em Portugal caiu para o nível de 2000, o desemprego disparou lançando centenas de milhares de pessoas no desespero e, no entanto, os objetivos apresentados por troika e governo falharam, com a dívida a subir a níveis jamais atingidos.O confronto entre os números previstos pelo memorando e a realidade são chocantes, como se pode ver rapidamente na tabela abaixo.
O memorando e a realidade
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Previsões MoU |
2011 |
Real |
2012 |
Real |
2013 |
Real |
2014 |
Real |
|
PIB |
-2,2 |
-1,5 |
-1,8 |
-3,2 |
1,2 |
-1,7 |
2,5 |
0,4 |
|
Défice |
-5,9 |
-4,3 |
-4,5 |
-6,5 |
-3 |
-5,7 |
-2,3 |
-4,6 |
|
Dívida |
106,4 |
108 |
112,2 |
134,5 |
115,3 |
135,4 |
115 |
137,9 |
|
Desemprego |
12,1 |
12,7 |
13,4 |
15,6 |
13,3 |
16,7 |
12 |
16,1 |
|
Défice (MME) |
-10,1 |
-10,4 |
-7,6 |
-8,7 |
-5,2 |
-9,8 |
-4,5 |
? |
Nota: As previsões desta tabela constam no MoU e a execução são dos dados da OCDE revelados pelo Ministério da Economia.
Os desvios entre as previsões do memorando e a realidade são flagrantes em todas as questões. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu sempre mais do que o apontado no memorando.
O desemprego tem sido sempre muito superior às previsões, apesar da taxa de desemprego, tal como é calculada, ser inferior à realidade.
O défice foi e é muito superior às previsões assentes no memorando. De acordo com o memorando, o défice devia ser de -2,3% no ano que decorre, no entanto, mesmo que se cumpram as metas atuais ele será o dobro do previsto no documento da troika.
A dívida há muito que está para além da meta mais alta apresentada pelo memorando (115,3% do PIB).
Em números absolutos, a dívida disparou de 184,9 mil milhões de euros em junho de 2011 para 210,7 mil milhões em outubro de 2013. São mais 25,8 mil milhões de euros – um aumento de 13,95%.
Em relação ao PIB, a dívida passou de 107% do PIB em junho de 2011 para 131,4% no final do segundo trimestre de 2013.
Destruição de riqueza
A destruição do Produto Interno Bruto, a preços constantes, desde o início do memorando da troika cifra-se em 20,6 mil milhões de euros.
Esta perda equivale a uma média de 4,5% do PIB anual.
O PIB a preços constantes era, em 2010, de 163 mil milhões de euros e fixou-se em 152,8 mil milhões de euros em 2013.
Este valor representa um recuo para o nível alcançado em 2000!
Mesmo a preços correntes o PIB caiu de 172,9 mil milhões de euros para 162,6 mil milhões de euros, no mesmo período.
PIB a Preços correntes - INE
|
2010 |
172,9 |
|
2011Po |
171,1 |
|
2012Pe |
165,1 |
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2013Pe |
162,3 |
Derrapagem constante do défice
Para além das metas estabelecidas pelo memorando, o défice derrapa entre as previsões aprovadas nos orçamentos do Estado e a execução orçamental. A derrapagem nos últimos três anos atinge os 4.200 milhões de dólares.
Derrapagem do défice entre OE e Execução – 4,2 mil milhões de euros
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Défice ajustado |
Previsto OE |
Execução |
Derrapagem |
|
2011 |
8,5 |
10,4 |
1,9 |
|
2012 |
8,7 |
8,7 |
0 |
|
2013 |
7,5 |
9,8 |
2,3 |
|
Total |
24,7 |
28,9 |
4,2 |
Outros dados do empobrecimento das pessoas e do país
As quotizações para a Segurança Social perdidas em 2012 e 2013, quando comparadas com o nível de 2011, são de 1.200 milhões de euros, segundo as contas da Segurança Social e o segundo OE retificativo de 2013, para os dados referentes a 2013.
O investimento caiu a níveis dos anos 80 do século passado. A Formação Bruta de Capital Fixo foi em 2013 de 22,4 mil milhões de euros a preços constantes (2006), um valor mais baixo só se pode encontrar no ano de 1989.
Os preços dos transportes e da eletricidade agravaram-se brutalmente, o que juntamente com o aumento do IVA penaliza duramente as condições de vida da maioria da população, em particular da população mais pobre.
Nos últimos 2 anos e meio de governação PSD/CDS-PP, existiram quatro aumentos de transportes, num total de 23,3%, para além do fim de alguns títulos, o que obriga os cidadãos a escolherem outros muito mais caros. Só o passe do metro de Lisboa aumentou 82%.
Os preços da eletricidade aumentaram 10% para consumidores domésticos, aos quais se somam mais 17% da subida do IVA.
No setor da restauração perderam-se 7.800 postos de trabalho, segundo o governo, enquanto a associação empresarial do setor aponta dezenas de milhares de postos de trabalho. A subida do IVA da restauração contribuiu significativamente para este desastre.
Na construção e obras públicas perderam-se 167.000 postos de trabalho entre o fim de 2010 e o final do primeiro semestre de 2013. Ou seja, 180 pessoas por dia perderam o emprego, neste setor.
O desastre económico e social reflete-se ainda na subida significativa das falências e das dívidas incobráveis.