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“Inimigo número 1” de Israel

HEZBOLLAH É UMA FORÇA POLÍTICA RECENTE
O Hezbollah (que quer dizer Partido de Deus) é uma organização político-partidária e uma milícia armada que nasceu apenas em 1982, decorridos já sete dos 15 anos que durou a guerra civil do Líbano. O seu objectivo principal era a expulsão do Exército israelita do Sul do Líbano, que acabou por se concretizar no ano 2000. Após o colapso do Exército do Sul do Líbano, uma força cristã de extrema-direita associada às tropas do estado judeu, os israelitas foram obrigados a recuar e abandonar a faixa de terreno que mantinham como um tampão, derrotados pela guerra de atrito que lhes movia a guerrilha.

O Hezbollah representa a população xiita, mas não é o único representante. Há outra milícia xiita, a Amal, que também tem força armada no Sul do Líbano. Pelo acordo de Taif, que pôs fim à guerra civil, todas as milícias deveriam ter sido desarmadas, mas o Hezbollah sempre se recusou a fazê-lo, por se considerar uma força de resistência.

Durante a chamada revolução dos Cedros, mobilização que se seguiu ao assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e que levou à retirada das tropas sírias que se mantinham no Líbano desde a guerra civil, o Hezbollah manteve a sua aliança com os sírios e mobilizou grandes manifestações a favor da Síria. Nas eleições que se seguiram, a organização xiita teve o maior resultado de sempre, elegendo 23 deputados. Em aliança com a Amal, elegeu todos os representantes do Sul do Líbano. É risível, assim, considerar o Hezbollah uma organização terrorista.

Vale a pena recordar que o sistema político libanês é totalmente confessional. O parlamento é constituído por metade de deputados cristãos e metade muçulmanos (destes, cerca de metade xiitas e metade sunitas). Desde os anos 30 que não se fazem censos no Líbano, com medo da conclusão que parece mais ou menos óbvia: que os muçulmanos, e destes, os xiitas, são a maioria do país.

O Hezbollah tem um canal de televisão, Al-Manar (o farol) que, apesar de ter tido a sede totalmente destruída pelos primeiros bombardeamentos israelitas da actual guerra, continua a emitir. Tem também uma rádio e um mensário impresso. Dois ministros do actual governo são do Hezbollah. Dirige hospitais, escolas e tem investido em projectos de reconstrução e desenvolvimento.

O seu líder, Hassan Nasrallah, tem 46 anos e assumiu a direcção do movimento em 1992.

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Resto dossier

Dossier Guerra no Líbano

Com o apoio dos EUA, Israel espera isolar e derrubar a Síria, mantendo o domínio do Líbano. Uma guerra colonial prolongada está pela frente, já que o Hezbollah, como o Hamas, tem apoio de massas. Não pode ser definido como "terrorista". O Mundo Árabe vê as suas forças como combatentes da liberdade, que resistem à ocupação colonial.

Entrevista a James Petras

Nesta entrevista à rádio uruguaia Centenário, republicada no Rebelión, James Petras, professor de sociologia da Binghamton University, Nova York, afirma que o actual conflito vai prolongar-se, porque Israel é governado por uma visão megalomaníaca que tem interesses expansionistas próprios, que não se subordinam sequer aos dos EUA.

“Inimigo número 1” de Israel

O Hezbollah (que quer dizer Partido de Deus) é uma organização político-partidária e uma milícia armada que nasceu apenas em 1982, decorridos já sete dos 15 anos que durou a guerra civil do Líbano. O seu objectivo principal era a expulsão do Exército israelita do Sul do Líbano, que acabou por se concretizar no ano 2000. Após o colapso do Exército do Sul do Líbano, uma força cristã de extrema-direita associada às tropas do estado judeu, os israelitas foram obrigados a recuar e abandonar a faixa de terreno que mantinham como um tampão, derrotados pela guerra de atrito que lhes movia a guerrilha.

Reportagem

Esta reportagem foi feita há quatro anos, quando o Líbano ainda curava as feridas de 15 anos de guerra civil e de uma reconstrução inacabada. Não foi difícil encontrar sobreviventes do massacre de Sabra e Chatila, um bairro degradado da periferia de Beirute, a apenas 15 minutos, de carro, do faustoso centro reconstruído da cidade. Também não foi  difícil encontrar quem quisesse recordar. A memória ainda está viva, como uma chaga.

Como uma boneca de trapos

A criança cujo cadáver jaz, como uma boneca de trapos, ao lado dos carros que a levavam para um lugar seguro, é um símbolo desta guerra do Líbano; foi lançada para fora do veículo em que fugia com a família de uma aldeia do Sul do Líbano - seguindo as próprias instruções de Israel. Como os pais aparentemente morreram no mesmo ataque, o seu nome ainda é desconhecido. Não é um soldado desconhecido, mas uma criança desconhecida.

Blogs do Líbano

Vale a pena acompanhar alguns dos muitos blogs feitos a partir do Líbano. Eles dão informação directa, pouco filtrada, mas também transmitem a angústia de gente que vive num país bombardeado constantemente. No meio disto, é possível fazer arte, poesia...