Uma centena de parlamentares e ativistas de quarenta países assinaram em Gaza uma resolução pedindo que os “governos e as organizações de direitos humanos em todo o globo apliquem todos os esforços pacíficos à sua disposição para forçar o fim do cerco”. “O tempo para as palavras passou”, lê-se.
Marisa Matias quer mudanças na região. “Nos meus 36 anos, nunca vi outra notícia daqui que não fosse sobre os conflitos. Espero ver agora novas notícias: o fim do cerco, o fim do bloqueio”. O papel da comunidade internacional não ficou esquecido. “Mesmo que os nossos governos nos envergonhem com as suas abstenções e os seus vetos, nos seus silêncios, nós não nós abstemos na luta pela dignidade, pelos direitos humanos e pela liberdade. Não colocamos os negócios à frente da dignidade humana”, defendeu. Salientou ainda “esta é a vossa história, esta é a vossa vida, esta é a vossa humilhação, mas diria também que é a nossa humilhação se não mesmo a maior vergonha da comunidade internacional”.
A parlamentar do Bloco de Esquerda falava na apresentação da declaração, onde participaram o Primeiro-Ministro, o Presidente do Conselho Legislativo, vários ministros, deputados de todas as forças políticas e diversas entidades sociais de Gaza. A cerimónia realizou-se no edifício agora usado como Parlamento desde o bombardeamento que destruiu a casa da democracia palestiniana.
Ann Wright lamentou que a total ausência de congressistas e senadores norte-americanos na subscrição da declaração. Coronel do exército dos Estados-Unidos retirada e ex-diplomata, demitiu-se em 2003 em divergência com a guerra no Iraque. Desde então tem denunciado e protestado as decisões do governo norte-americano que considera ilegais. Wright recordou que a lei do seu país considera os ativistas civis que apoiem a Palestina como terroristas. “A lei diz que devo ser investigada por laços com terroristas. O que digo ao Congresso é que é o próprio Congresso que é terrorista ao apoiar o bloqueio de Israel a Gaza”.
Antes, Clare Short tinha realçado o crescente repúdio ao bloqueio numa visita de manhã a uma associação de beneficência que se dedica ao tratamento médicos dos amputados. “Os ataques contínuos e o cerco são injusto, e há cada vez mais pessoas no mundo o acham errado”. A ex-secretária de estado do governo de Blair que se demitiu em 2003 em oposição à guerra do Iraque, pediu “desculpas pelo papel dos nossos governos que perpetuam a ação de Israel sobre a Palestina” . Prometeu ainda “lutar para que os nossos governos sejam pelos direitos humanos, pela liberdade e pelo direito internacional, o que significa a liberdade da Palestina”.