Está aqui

Dossier Cuba: Antes que anoiteça

As primeiras fotos de Fidel Castro depois da operação apareceram no dia do seu aniversário. Fidel juntava uma mensagem em que declarava estar a recuperar, mas que o seu estado exige longos cuidados e não está ausente de perigos.Nas vésperas dos 80 anos de Fidel Castro um vasto conjunto de intelectuais mobilizou-se num apelo à não intervenção dos Estados Unidos da América na política cubana.
A secretária de Estado Condollezza Rice apreçou-se a dizer que os Estados Unidos não planeiam invadir Cuba, mas apela a uma “mudança democrática” na ilha. Para essas alterações, os norte-americanos já têm um plano com milhares de páginas em que se planeia desde as mudanças na economia, as entrega de empresas cubanas ao capital estrangeiro e os vários cenários eleitorais.
Na elaboração deste plano participaram gente tão importante como o antigo secretário de Estado Colin Powel e o senador Martinez que dirigirem a Comissão de Ajuda a Cuba Livre (não, não, se trata da bebida). A administração Bush já nomeou até um alto funcionário para gerir a transição, à imagem e semelhança do homem que Bush mandou para o Iraque, chama-se Caleb McCarry e tem um orçamento de muitos milhões de dólares para distribuir pela oposição ao regime.
Os Estados Unidos têm saudades do tempo em que obrigaram os cubanos a introduzir na sua constituição uma emenda – a emenda Platt -, que permitia sempre que os presidentes norte-americanos quisessem intervir militarmente na ilha para garantir os seus interesses.
Para analisar a actual situação em Cuba, publicamos uma série de textos para reflexão.
Uma excelente e extensa reportagem de Jon Lee Anderson. Uma entrevista ao jornalista brasileiro Fernando Morais, um texto elogioso para Fidel do seu amigo Garcia Márquez em que Fidel é apresentado como líder único e esclarecido, e um texto muito violento contra Fidel do escritor Carlos Montaner.
Pensamos que todos eles são importantes para compreender a realidade. É, no entanto,  necesário sublinhar que a publicação destes textos não implica a concordância da redacção com todas as suas linhas e, em alguns, com nenhuma letra.

(...)

Resto dossier

Dossier Cuba: Antes que anoiteça

As primeiras fotos de Fidel Castro depois da operação apareceram no dia do seu aniversário. Fidel juntava uma mensagem em que declarava estar a recuperar, mas que o seu estado exige longos cuidados e não está ausente de perigos.Nas vésperas dos 80 anos de Fidel Castro um vasto conjunto de intelectuais mobilizou-se num apelo à não intervenção dos Estados Unidos da América na política cubana.

Pode a revolução sobreviver?: A última batalha de Fidel

Jon Lee Anderson é um profundo conhecedor de Cuba e autor de umas das melhores biografias de Che Guevara, nesta reportagem feita para a New Yorker, 24/7/2006, anterior a hospitalização de Fidel, faz um retrato do momento que se vive na ilha.
No fim de uma tarde de sexta-feira de Março, uma multidão  concentrou-se numa manifestação no centro de Havana para protestar contra um incidente que tinha ocorrido na tarde anterior em San Juan, Porto Rico. Durante uma partida entre Cuba e a Holanda, no primeiro Campeonato Clássico de Basebol Internacional, um espectador levantou uma placa para as câmaras de TV que dizia "abaixo Fidel" e gritou opiniões semelhantes para os cubanos presentes.

Carlos Alberto Montaner: "Desmantelar este anacrónico manicómio"

Castro esteve quase a morrer. A hemorragia intestinal e a subsequente operação chegaram duas semanas antes de assinalar os oitenta anos. Foi um aviso. Mais de metade da sua vida passou-a a governar. Há quarenta oito anos que tomou o poder aos tiros e desde ai não o soltou mais. Quando começou o comandante era uma jovem impetuoso e audaz, convencido que sabia como reorganizar a humanidade para que todos se transformassem em ricos e felizes, ainda que o caminho para conseguir tão benévolo propósito fosse à paulada.

Gabriel García Márquez: O Fidel que eu conheço

A sua devoção pela palavra. O seu poder de sedução. Vai buscar os problemas onde estão. O Ímpeto e a inspiração são próprios do seu estilo. Os livros reflectem muito bem a amplitude dos seus gostos. Deixou de fumar para ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Gosta de preparar as receitas de cozinha com uma espécie de fervor científico. Mantém-se em excelentes condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação frequente. Paciência invencível. Disciplina férrea. A força da imaginação arrasta-o até ao imprevisto. Tão importante como aprender a trabalhar é aprender a descansar.

Entrevista Fernado Morais: Cuba não vai cair

"O tigre que sentiu o gosto de sangue, jamais vai querer voltar a ser vegetariano." Para o jornalista e escritor Fernando Morais, 60 anos, o processo de transição para o capitalismo em Cuba ainda não começou. E nem vai começar. São algumas palavras de um dos maiores jornalistas brasileiro, especialista em Cuba, à repórter Sylvia Colombo da Folha de São Paulo.
Autor, entre várias obras, do livro reportagem "A Ilha" (Companhia das Letras), relato entusiasmado sobre as conquistas da Revolução, best-seller na época do seu lançamento, há 30 anos, e amigo de Fidel Castro, Morais defende o regime cubano sem hesitar. Para Fernando Morais, no caso dos EUA tentarem intervir após a morte de Fidel, morrerão na praia, como na batalha da Baia dos Porcos, em 1961 (em que tropas armadas pelos EUA foram derrotados por milicianos cubanos).