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Abordagem inovadora da avaliação

Proposta estudada pela Escola Superior de educação de Beja, entre 2005 e 2007O professor como actor principal da avaliação do seu próprio desempenho profissional. A sugestão é apresentada no Manual de Implementação do Modelo de Avaliação de Competências para Professores e Educadores, ferramenta que surge no âmbito do projecto TEVAL - Modelo de Avaliação das Competências Práticas de Professores e Formadores, coordenado pela Escola Superior de Educação/Instituto Politécnico de Beja, numa iniciativa que envolveu vários especialistas na área e docentes de Portugal, França, Grécia, Alemanha, Estónia e Reino Unido, entre 2005 e 2007.

Artigo de Sara Oliveira, publicado em educare.pt

 

Este modelo sistemático para a identificação de competências profissionais, e que lança bases para um processo inovador, enquadra-se no projecto Leonardo da Vinci.

"É uma proposta inovadora para avaliação de competências de professores e educadores", avança Clara Rodrigues, investigadora do projecto TEVAL. "O professor tem de ser o principal agente da sua avaliação, o principal actor deste processo", concretiza. Para que assim se possa responder a dois objectivos considerados importantes: "à aprendizagem do próprio professor no seu desenvolvimento profissional" e à regulação do sistema "providenciando informações relevantes", que sustentem decisões importantes no percurso profissional do educador.

O manual não quer ser formal ou restritivo de procedimentos, mas sim sugerir e propor caminhos para que a avaliação do desempenho dos professores seja feita o mais próximo possível das necessidades e actividades da organização onde se inserem. "É uma abordagem diferente do que actualmente é implementado". Uma abordagem que se quer descentralizada. O manual foi já apresentado ao Ministério da Educação que, eventualmente, poderá recolher algumas das ideias propostas. "A intenção do Ministério da Educação centra-se na observação do desenvolvimento profissional dos professores. No entanto, o Ministério tem muitas limitações ao implementar isso porque parte de uma análise feita à distância", repara Clara Rodrigues.

Todo o trabalho de avaliação proposto pelo novo manual é feito em "colaboração com uma equipa de avaliação formativa que trabalhe na organização". "O professor é integrado na organização - escola ou centro de formação - dentro de um grupo de área formativa que acompanhe constantemente o seu trabalho". Esta equipa deverá ser constituída por um representante dos órgãos de gestão; dois ou três colegas, se possível do mesmo departamento disciplinar do docente; um avaliador externo; um aluno que represente uma turma do professor; e ainda alguém que represente a comunidade em que a organização está implementada. Isto porque, realça a investigadora, "o estatuto do professor trespassa a organização e tem algum impacto nas famílias". O manual sugere ainda a realização de dois cursos de formação tanto para os responsáveis pelo processo de avaliação, bem como para os professores avaliados.

"Uma vez constituído o grupo de avaliação, o professor cria o seu próprio perfil profissional para as diferentes áreas de intervenção." Ou seja, "descreve as suas capacidades actuais e as que prevê que sejam atingidas". É assim que é construído o portefólio de avaliação pessoal que integrará um conjunto de material demonstrativo do trabalho efectuado. O portefólio pode incluir a planificação de aulas, relatórios de projectos educativos desenvolvidos, filmes ou apresentações multimédia, inquéritos feitos aos alunos ou às famílias sobre a satisfação em relação ao desempenho, entre outros documentos.

O grupo reúne-se sempre que se justifique para que o professor seja avaliado por si próprio e pelos membros da equipa. A avaliação é qualitativa, mas o manual do projecto TEVAL deixa a análise quantitativa em aberto, ou seja, à consideração dos responsáveis pelos espaços escolares e de formação. "O manual pode ser consultado e utilizado como uma ferramenta e instrumento de avaliação do próprio desempenho dos professores e formadores, funciona como uma auto-avaliação", reforça Clara Rodrigues. "Nos sistemas de avaliação actualmente utilizados há certas lacunas. Nos países anglo-saxónicos, esses sistemas são feitos por objectivos, por competências. Nos países latinos, há uma cultura para o desenvolvimento profissional que, no fundo, é baseada em instrumentos de reflexão, mas não muito operacionalizados".

A segunda fase do projecto TEVAL passa por aplicar o modelo proposto em diversas instituições portuguesas e nos países que aderiram à iniciativa, abrangendo ainda a Polónia e a Itália. "Para verificar se funciona na prática", explica Clara Rodrigues. Esta fase inclui ainda a formação dos professores que irão para o terreno. Para isso, foi já apresentada uma candidatura à Comissão Europeia.
 

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Resto dossier

Dossier avaliação dos professores

O novo modelo de avaliação dos professores foi um dos motivos que levou 100 mil a virem para a rua gritar. Os docentes acusam a ministra de querer iniciar um processo altamente burocrático no terceiro período escolar, logo no momento em que os alunos mais precisam deles. E sublinham que não estão contra a avaliação mas sim contra este modelo. Neste dossier, o Esquerda.net analisa o novo diploma da avaliação de desempenho dos professores e as propostas alternativas que o governo recusa ouvir.

Proposta apresentada pela Fenprof

A 14 de Junho de 2006 a FENPROF apresentou um conjunto de propostas relativas à alteração ao Estatuto da Carreira Docente, no decurso de um processo iniciado pela exclusiva vontade do Ministério da Educação.

 

A avaliação do desempenho antes da inefável

A formidável máquina de propaganda do Governo tem repetido à exaustão uma mentira que, de tão repetida, assume foro de verdade inquestionável - os professores nunca foram avaliados e assim querem continuar.
E no entanto, desde Janeiro de 1990 - com a publicação do Estatuto da Carreira Docente - existe um modelo formal de avaliação do desempenho de todos os docentes da educação pré-escolar e do ensino básico e secundário e desde essa data todos os docentes foram avaliados nos termos da lei.
Artigo de Manuel Grilo, dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) 

A avaliação na Finlândia

Os directores das escolas são responsáveis pela avaliação da atmosfera de trabalho e aprendizagem nas escolas, avaliando-se colectivamente o trabalho dos professores no seu contributo para a "performance" da escola. A avaliação, sendo global, não atribui notas individuais aos professores. Por isso, a avaliação não afecta directamente os salários dos professores, dado que estes são pagos de acordo com os seus anos de trabalho.

Artigo de Paula Rauhala - Representante da Left Alliance no Conselho de Educação da Cidade de Helsínquia, Finlândia.  

Proposta alternativa, por Ramiro Marques

A minha proposta vai no sentido de a avaliação de desempenho do professor ser feita no quadro da avaliação externa da escola. Essa avaliação externa seria feita, não apenas por inspectores, mas por um painel de personalidades formado por um inspector e mais duas personalidades exteriores à escola, designadas pelo ME, após consulta ao Conselho Pedagógico da escola.

Artigo de Ramiro Marques, composto a partir de vários posts do blogue ProfAvaliação
 

Avaliação dos professores: qual a questão de fundo?

Na verdade, a finalidade máxima da avaliação já não tem como primeira preocupação assegurar a correspondência entre a qualidade do trabalho produzido e a qualidade da carreira, mas, antes, controlar administrativamente o acesso a determinados patamares profissionais, tendo em vista a obediência a critérios económicos e financeiros.

Artigo de Manuel Matos, publicado na revista "a página da educação", Março de 2008   

Como construir uma avaliação de desempenho alternativa?

Isto é, uma proposta de avaliação que estimule a reflexão profissional, mais do que o controlo burocrático? Cremos que essa proposta tem de ser construída a partir dos compromissos que os educadores e os professores possam assumir, de forma clara, reflectida e responsável, nos Projectos Curriculares de Escola e de Turma que, deste modo, deveriam deixar de ser entendidos, então, como documentos inócuos e inconsequentes do ponto de vista pedagógico.

Artigo de Ariana Cosme e Rui Trindade na revista "a página da educação", Dezembro de 2007.
 

O gigantismo desta avaliação

Como alguns colegas sabem, eu tenho uma opinião muito crítica relativamente ao conteúdo do decreto regulamentar da avaliação de desempenho dos professores. Contudo, é claro para todos nós que a crítica ou a defesa deste modelo de avaliação apresentado pelo ministério da educação constituem posições legítimas, desde que, ambas as posições, se sujeitem ao debate argumentativo, se sujeitem ao escrutínio do contraditório.

Comunicação de Mário Carneiro em Colóquio sobre a Avaliação de Desempenho dos professores, 27/02/2008. Publicado aqui  

Abordagem inovadora da avaliação

Proposta estudada pela Escola Superior de educação de Beja, entre 2005 e 2007O professor como actor principal da avaliação do seu próprio desempenho profissional. A sugestão é apresentada no Manual de Implementação do Modelo de Avaliação de Competências para Professores e Educadores, ferramenta que surge no âmbito do projecto TEVAL - Modelo de Avaliação das Competências Práticas de Professores e Formadores, coordenado pela Escola Superior de Educação/Instituto Politécnico de Beja, numa iniciativa que envolveu vários especialistas na área e docentes de Portugal, França, Grécia, Alemanha, Estónia e Reino Unido, entre 2005 e 2007.

Artigo de Sara Oliveira, publicado em educare.pt

O exemplo da Bélgica, por António Brotas

É importante que o Ministério da Educação, antes de tentar impor uma reforma global que pode estar radicalmente errada, se procure informar sobre as formas de avaliação dos professores adoptadas noutros paises da Europa, que parecem serem razoavelmente aceites pelos seus professores.

Texto de António Brotas  

Proposta alternativa, por Manuel Rodrigues

Em nada terá adiantado a luta dos Professores se não forem, de uma vez por todas, resolvidas as situações anómalas do Estatuto da Carreira Docente (ECD), porque é isso que, na essência de todos os problemas, está em causa.

Artigo de F. Manuel Rodrigues (Professor EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa)