Está aqui

5.000 mortes pelo ébola, testes de vacinas começam em dezembro

Segundo o relatório de 25 de outubro da organização mundial de saúde (OMS), já morreram 4.922 pessoas, vítimas do atual surto do ébola. A OMS anunciou também que, a partir de dezembro, começarão a ser experimentadas vacinas contra o ébola nos países mais atingidos da África Ocidental.
Figura do comunicado da OMS de 25 de outubro de 2014

A OMS aponta no seu relatório de 25 de outubro que foram detetados 10.141 casos de pessoas afetadas pelo ébola, em 8 países, desde o início do atual surto. As vítimas mortais são já 4.922.

Os países mais afetados são: Libéria, 4.665 casos e 2.705 mortes; Serra Leoa, 3.896 casos e 1.281 mortes; Guiné 1.553 casos e 926 mortes. Estes três países concentram 99,7% dos casos e 99,8% das mortes.

A OMS assinala ainda 20 casos detetados e 8 mortes na Nigéria, 4 casos e uma morte nos EUA, 1 caso e uma morte no Mali, e um caso detetado e nenhuma morte no Senegal e em Espanha.

Testes com vacinas contra o ébola começam em dezembro

A OMS anunciou também, em 24 de outubro, que os testes com vacinas contra o ébola deverão começar nos países mais afetados da África Ocidental a partir de dezembro.

Segundo a organização, até final de 2015 serão produzidas mais de um milhão de doses de vacina e centenas de milhares nos primeiros seis meses de 2015.

As primeiras pessoas a receber as vacinas serão os profissionais de saúde, que trabalham nas áreas de maior risco.

Há duas vacinas em fase de teste e outras cinco em estudo. As duas vacinas que começarão a ser testadas nos países mais afetados da África (Libéria, Serra Leoa e Guiné) são produzidas uma pela transnacional farmacêutica GSK (GlaxoSmithKline) e outra pela Agência de Saúde Pública do Canadá.

A diretora-geral adjunta da OMS, Marie-Paule Kieny, advertiu: “A vacina não é uma bala mágica [contra o vírus]”.

Em artigo que publicamos neste dossier, As origens da crise do ébola, o cientista e especialista em saúde pública Allyson Pollock afirma: “A solução para estas epidemias não são poções mágicas de vacinas”.

Allyson Pollock salienta que “o mundo ocidental, especialmente o governo dos EUA, está de volta com soluções mágicas” e aponta: “E isto é uma remoção completa da determinação social e estrutural da saúde pública, porque as origens de toda a saúde pública estão em soluções muito simples e básicas. Trata-se de água limpa, saneamento, boa nutrição – os males da pobreza”.

Não estou a dizer que não precisamos de vacinas” esclarece também o cientista, que destaca que “um dos grandes problemas é que o próprio desenvolvimento de vacinas agora está nas mãos destas fundações ONGs grandes e muito poderosas, como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Initiative, a qual em conjunto com grandes companhias como a GSK e a Merck, estão determinadas a conseguir patentes, e a razão porque elas gostam de vacinas é porque são um meio de imunização em massa, isto significa números, e números significam dinheiro”.

Uma das produtoras das vacinas que serão experimentadas a partir de dezembro de 2014 nos países mais afetados da África Ocidental é precisamente a transnacional GSK (GlaxoSmithKline).

(...)

Resto dossier

Ébola, a falência do mercado

O desastre provocado pelo surto de ébola é a demonstração do falhanço do mercado e do neoliberalismo. Já morreram quase 5.000 pessoas, só a partir de dezembro começarão a ser experimentadas vacinas e isto não resolverá o fundo dos problemas dos países mais atingidos: miséria, destruição dos serviços públicos de saúde, interesses dominantes das transnacionais.. Dossier organizado por Carlos Santos.

5.000 mortes pelo ébola, testes de vacinas começam em dezembro

Segundo o relatório de 25 de outubro da organização mundial de saúde (OMS), já morreram 4.922 pessoas, vítimas do atual surto do ébola. A OMS anunciou também que, a partir de dezembro, começarão a ser experimentadas vacinas contra o ébola nos países mais atingidos da África Ocidental.

Perguntas e respostas sobre o ébola

Como se transmite o ébola entre os seres humanos? O que faz dentro do corpo? Qual a probabilidade de uma pessoa com o vírus morrer? Como se transmite inicialmente aos seres humanos? Quantas epidemias já ocorreram? Existem vacinas? Porque se chama ébola? Por Alberto Sicilia

As origens da crise do ébola

A solução para estas epidemias não são poções mágicas de vacinas, nem isto se resolve com o envio de tropas. É estrutural, é social, é económico, é ambiental e é investindo em medidas de saúde pública. O que acontece é que os sistemas públicos de saúde estão a ser destruídos. Por Tariq Ali e Allyson Pollock.

As causas económicas e políticas da epidemia de ébola

Em quase nenhuma das informações sobre o ébola aparecidas na maioria dos meios de informação se falou das causas profundas da epidemia do ébola nestes países, sendo a primeira a enorme miséria da grande maioria da população. Por Vicenç Navarro.

Ébola: quem são os artífices da morte e como os combater?

Se a pandemia do ébola continuar a progredir ao ritmo atual, de aqui a janeiro de 2015, poderá afetar 1,4 milhões de pessoas na Libéria e na Serra Leoa. Os dois países mais afetados poderão assistir num ano ao desaparecimento de quase 10% da sua população. Daí que seja urgente compreender as suas causas para procurar evitar o pior e prevenir tragédias parecidas. Por Jean Batou.

Ébola provoca crise alimentar na África ocidental

A epidemia de ébola na África ocidental, que oficialmente já matou mais de 4.500 pessoas, também ameaça desencadear uma crise alimentar nos países onde se concentra, por si só já assolados pela pobreza e pela fome. Por Thalif Deen da IPS

Ébola: A “falência moral” da indústria farmacêutica

O principal médico de saúde pública do Reino Unido defende que a culpa pelo fracasso em encontrar uma vacina contra o vírus do Ébola reside na “falência moral” da indústria farmacêutica em investir numa doença porque a mesma só afetou, até agora, pessoas em África — apesar das centenas de mortes. Por Jane Merrick, no The Independent.

A militarização da epidemia de ébola

Poucas pessoas se oporiam a uma sólida resposta dos Estados Unidos à crise de ébola, mas a natureza militarizada do plano da Casa Branca apresenta-se no contexto de uma militarização mais extensa liderada por Washington na região. Por Joeva Rock.

Peter Piot: “Em 1976 descobri o ébola. Hoje temo uma tragédia inimaginável”

O microbiólogo que descobriu o ébola, fala do surto atual em África como “tempestade perfeita”, salientando que “nesta epidemia houve muitos fatores que eram adversos desde o princípio”. Peter Piot refere que a OMS reagiu tarde, entre outras causas, porque “tem sofrido grandes cortes orçamentais decididos pelos estados membros”.

Três empresas com fármacos contra o ébola aumentam o seu valor em 1.100 milhões

As empresas norte-americanas Chimerix e BioCryst e a canadiana Tekmira têm fortes subidas desde a deteção dos primeiros casos do surto do ébola. Nenhuma chega à centena de empregados e todas estão cotadas no índice tecnológico Nasdaq. A grande incógnita é quanto valerá o fabricante do ZMapp, que não está cotada em bolsa.