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45 anos sobre o assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes

No dia 2 de abril de 2021 passaram 45 anos da aprovação da Constituição de Abril e também do único crime político cometido pela extrema-direita do MDLP no pós 25 de Abril. Este conjunto de documentos procura lembrar e homenagear Max e Lurdes. Dossier organizado por Carlos Santos
Dossier 328: 45 anos do assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes
Dossier 328: 45 anos do assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes

Neste dossier, incluímos o apelo de Luís Fazenda a “recordar Max em homenagem nacional”, em que lembra que a aprovação da Constituição foi no mesmo dia do atentado e em que sublinha a importância da “autodefesa constitucional”. E também, a carta aberta “Não vos mataram, semearam-vos!, que foi subscrita por mais de 300 pessoas.

Três entrevistas lembram-nos a vida e ação de Max e Lurdes e o crime que os vitimou, ajudam-nos a compreender o papel que tiveram em 76 e propõem-nos aspetos importantes por que importa “fazer memória”.

Paulo Bateira, que foi, em 1976, responsável da Juventude Escolar Católica (JEC) no norte do país, salienta que “Ele era assim, estava connosco em tudo o que pudesse ajudar a gente a aprender” e explica o ambiente político e social naquele tempo no nordeste do país. “Se há alguém a quem cai como uma luva a expressão ‘o pedagogo’ era a ele”, aponta.

Miguel Carvalho, jornalista e autor do livro “Quando Portugal Ardeu”, onde contou aspetos essenciais do crime político, salienta que "A culpabilidade da extrema-direita bombista da época ficou provada nos tribunais". “O padre Max, pela sua integridade e percurso cívico, merece ser lembrado como alguém que, independentemente das suas convicções ideológicas, quis afirmar, praticar e consolidar a convivência democrática”, sublinha.

“Importa fazer memória. Resgatar do esquecimento vidas que não foram em vão”, afirma Daniela Costa, a escritora de “ Uma bomba a iluminar a noite do Marão”, que também explica porque escolheu estes acontecimentos para escrever um romance. “O Padre Max era uma alma grande, insuflada por uma assombrosa liberdade interior”, conta e ajuda a resgatar a memória de Maria de Lurdes, ao lembrar que “a proximidade com o Padre Max fez dela alvo de boatos e maledicências, em vida e em morte” e “desviou a atenção dos atos de coragem e generosidade que protagonizou”.

José Castro, que ao longo destas quatro décadas e meia acompanhou o processo judicial do assassinato do Padre Max, assim como os eventos e homenagens entretanto realizados, destaca que a memória não se apaga” e lembra o “empenhamento corajoso e persistente do advogado Mário Brochado Coelho”. A concluir, afirma: “O crime ficou sem castigo, mas o povo de Vila Real e de todo o país lembrará para sempre as figuras de Max e Lurdes, cujas vidas foram destruídas pelas bombas da extrema-direita”.

Por fim, em Memória da barbaridade, publicamos uma mensagem de Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, lembramos a Associação Padre Maximino, que ao longo do tempo foi sempre evocando Max e Lurdes e realizando um importante trabalho cultural. Divulgamos ainda um folheto de 1977 com diversos documentos daquele período, que ajuda a compreender o ambiente político e social que se vivia naquele tempo no norte interior de Portugal, que revela a luta democrática de Max e do grupo de jovens que o acompanhava. Na introdução, o Padre Mário de Oliveira recordou o lema da ação política de Max, que ficou para sempre como uma lição: “Servir o Povo e nunca servir-se dele”.

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Neste dossier:

Dossier 328: 45 anos do assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes

45 anos sobre o assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes

No dia 2 de abril de 2021 passaram 45 anos da aprovação da Constituição de Abril e também do único crime político cometido pela extrema-direita do MDLP no pós 25 de Abril. Este conjunto de documentos procura lembrar e homenagear Max e Lurdes. Dossier organizado por Carlos Santos

Daniela Costa, autora do romance “ Uma bomba a iluminar a noite do Marão”

“Importa fazer memória. Resgatar do esquecimento vidas que não foram em vão”

Daniela Costa, autora do romance “ Uma bomba a iluminar a noite do Marão”, destaca em entrevista ao esquerda.net a importância de “Contar esta história para que se conheça a grandeza do caráter dos seus protagonistas e se possa repetir o refrão: ‘Não vos mataram, semearam-vos’!”

Miguel Carvalho e o seu livro "Quando Portugal ardeu"

"A culpabilidade da extrema-direita bombista da época ficou provada nos tribunais"

“O padre Max, pela sua integridade e percurso cívico, merece ser lembrado como alguém que, independentemente das suas convicções ideológicas, quis afirmar, praticar e consolidar a convivência democrática”, afirma o jornalista Miguel Carvalho, autor do livro “Quando Portugal Ardeu”, em entrevista ao esquerda.net

Funeral do Padre Max e de Maria de Lurdes, uma manifestação de luto e pesar, que juntou cerca de 20 mil pessoas, dispersas pelo percurso (segundo o JN de então)

“Ele era assim, estava connosco em tudo o que pudesse ajudar a gente a aprender”

"Podemos e devemos dizer que ao Max não lhe conseguiram roubar a vida, porque foi ele que deu a vida pela Vida”, afirma Paulo Bateira, nesta entrevista.

Dossier 328: 45 anos do assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes

Max e Lurdes: a memória não se apaga

O Estado português tinha a obrigação de proteger as vítimas e seus familiares, investigar os factos ocorridos em tempo oportuno, apurar os responsáveis e puni-los. Mas não cumpriu com as suas obrigações constitucionais.

Cartaz da Associação Padre Maximino

Memória da barbaridade

Neste artigo damos a conhecer uma mensagem de Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e Segurança, sobre a passagem dos 45 anos do assassinato de Max e Lurdes. Lembramos a Associação Padre Maximino e divulgamos uma edição de 1977 de textos e notícias da ação de Max e do crime político de que foi vítima.

"Não vos mataram, semearam-vos!"

Carta aberta nos 45 anos do assassinato de Max e Lurdes: Não vos mataram, semearam-vos!

Neste dia 2 de abril de 2021, mais de três centenas de pessoas quiseram "render o tributo da memória ao sacerdote católico Maximino Barbosa de Sousa e à estudante Maria de Lurdes Correia”. Entre elas estão  personalidades da Cultura, da Política, da Igreja Católica e de outros setores da sociedade.

45 anos depois do assassinato de Max e Lurdes

45 anos depois do assassinato de Max e Lurdes

Este artigo é um apelo. Certamente, muitos cidadãos vão assinalar os 45 anos da Constituição, também a 2 de abril. Antes disso, e até para isso, podemos recordar Max em homenagem nacional.