Está aqui

“A esquerda radical também foi surpreendida pela amplitude das mobilizações"

Há sinais de que a política do PT no poder se está a esgotar e que o PT foi, sem dúvida, o partido mais afetado pelas manifestações, diz nesta entrevista João Machado, da direção nacional do PSOL, para quem organizações mais independentes, como as que têm impulsionado as mobilizações, provavelmente vão reforçar-se. Por Juan Tortosa, Solidarités
João Machado: "A unidade da esquerda que devemos procurar é com os setores que estão na oposição aos governos do PT (e, obviamente, na oposição aos governos da oposição de direita ao governo federal)".

Atualmente, o Brasil vive um período de desenvolvimento económico e social. Olhando da Europa, não se entendem bem as razões do protesto, para além do aumento das tarifas do transporte público. Qual é tua opinião? Trata-se de uma manifestação da classe média que não se sente representada?

A verdade é que a ideia de que exista uma situação de pleno desenvolvimento económico e social em Brasil é falsa. O governo federal tenta difundir essa ideia e a burguesia internacional (e os seus meios de comunicação) também, mas não é isso o que sucede.

É verdade que durante governo Lula houve mais crescimento da economia que no governo que o precedeu, de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Mas se olhamos para o padrão histórico do Brasil, ou se fazemos a comparação com o conjunto do mundo, o crescimento de Brasil é muito medíocre; nos últimos dez anos é um dos menores de América Latina, é inferior ao crescimento dos outros países chamados "emergentes", etc.

Por outro lado, nos dois anos do governo Dilma Rousseff de que já temos dados, o crescimento caiu ainda mais: 2,7 % de crescimento do PIB em 2011 e 0,9% de crescimento do PIB em 2012. Em 2013, apesar das esperanças postas pelo governo numa grande recuperação, os dados já indicam que o crescimento será, outra vez, medíocre. Evidentemente isso explica-se, em boa parte, pelos reflexos da má situação da economia mundial (da mesma maneira que boa parte dos resultados menos maus do governo Lula se explicam pelo boom internacional das commodities, impulsionado sobretudo pela China), mas a questão é que não há um processo de crescimento económico significativo no Brasil.

Se pensamos em termos um pouco mais amplos, mais de acordo com a hipótese do "desenvolvimento", a avaliação é ainda pior. Nos últimos dez anos, o Brasil retrocedeu do ponto de vista da sua indústria – há um processo de desindustrialização – e sobretudo do ponto de vista das suas relações económicas com o exterior. Voltou a ser um país exportador de commodities, exporta menos produtos industriais que há vinte anos. Assim, a sua dependência ao exterior aumentou.

Mas os problemas económicos vão ainda mais longe. Nos últimos meses há um processo de regresso da inflação, limitada, mas percetível (neste momento, espera-se que esteja a aproximar-se dos 6% anuais). Ao mesmo tempo, há uma deterioração das contas externas (explicado, em parte, pela sobrevalorização do real, a moeda brasileira, o que é uma imposição do modelo de controlo da inflação). Crescimento fraco com inflação e deterioração das contas externas é uma combinação de circunstâncias que restringe muito a margem de manobra do governo. E como é um governo muito conservador do ponto de vista económico, o que tenta fazer com mais força é controlar as despesas públicas e dar incentivos aos capitais, o que, até agora, tem dado muito poucos resultados.

Há um aspeto da pergunta com que estou mais de acordo. É claro que as mobilizações não se explicam somente, e quiçá nem principalmente, pela relativamente má situação económica atual (ainda que o preço do transporte público seja realmente elevado para o poder de compra da população). A indignação provocada pela repressão às manifestações e o apoio ao direito de manifestação... tiveram um peso importante.

E também tem um peso importante o que sugere a pergunta, que eu não colocaria como "a classe média que não se sente representada", mas sim, antes, como uma perda geral de legitimidade do sistema político. Uma grande parte da população sente que os partidos maioritários fazem políticas muito parecidas (o que se expressou claramente, por exemplo, pela atuação muito semelhante e, em general, comum, dos dois governantes mais diretamente responsáveis pelo transporte público em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad, do PT, e o governador Geraldo Alckmin, do PSDB).

É verdade que o governo federal tem contado com um apoio claramente maioritário nos últimos anos, e em particular nas eleições. Mas houve sondagens publicadas pouco antes do início das mobilizações que indicavam uma queda significativa desse apoio. E o setor que menos apoia o governo é justamente o sector intermediário dos assalariados (uma parte do proletariado, evidentemente) e as camadas médias. O governo tem um apoio maior nos assalariados mais precários, nos mais pobres, o sector que alguns analistas chamam de "subproletariado". Mas até uma parte desse sector se rebelou – precisamente, as iniciativas de ações contra comércios e bancos, incêndio de carros... partem dele – já que certamente se sente explorado e oprimido.

Quais são os sectores sociais que dominam a economia? O crescimento económico do Brasil beneficiou toda a sociedade?

A economia brasileira está dominada por uma aliança entre o capital financeiro, o grande capital industrial e o agronegócio (a grande burguesia rural), tanto nacionais como estrangeiros, com algumas contradições entre eles. O capital industrial, por exemplo, tem problemas com a política de sobrevalorização do real, porque lhe dificulta a concorrência com as importações. Mas, como esse capital aceita o marco geral neoliberal da política económica do governo, não tem muita margem para fazer pressão por mudanças nessa política.

O crescimento económico do Brasil nos últimos anos – que existiu, ainda que seja menos significativo do que diz a propaganda do governo e os elogios que tem recebido da burguesia internacional – beneficiou sobretudo o capital financeiro e o agronegócio. Mas também foi distribuído um pouco às camadas mais pobres da sociedade, sobretudo através do grande crescimento dos apoios sociais (o mais importante nesse plano é o conhecido programa Bolsa Família) e pelo crescimento, também significativo, do salário mínimo (o que também tem consequências aos que recebem pensões, que são indexadas ao salário mínimo). Essa é a principal razão do maior apoio que tem o governo federal nas camadas mais pobres. Além disso, ainda que a situação do ensino público não seja nada boa, o governo federal expandiu o ensino público universitário federal e tem uma política de bolsas que ampliou o acesso de setores populares ao ensino universitário privado.

Perderam os assalariados intermediários e os que recebem salários mais elevados, especialmente os funcionários públicos. Essa é uma da razões pela qual os que podem ser classificados como "camadas médias" (o que inclui uma parte do proletariado, inclusive de operários) têm uma opinião bem mais negativa do governo. Também perderam setores como os camponeses e os indígenas (que não são numerosos no Brasil) porque o governo favorece o agronegócio e não a agricultura camponesa. O governo federal permite um verdadeiro genocídio dos indígenas – há muitos assassinatos de indígenas pelos grandes proprietários rurais e o governo federal tolera-o – porque os grandes proprietários de terra (o agronegócio) são uma parte importante das alianças políticas para garantir a chamada "governabilidade".

Qual é teu balanço do PT no poder?

Acho que é possível resumir a linha seguida pelos governos do PT da seguinte maneira: fazer concessões "aos de abaixo", na condição de não entrar em choque com as classes dominantes, o que implica não fazer nenhuma mudança fundamental na orientação da política neoliberal apoiada por essas classes. É uma orientação fundamentalmente conservadora. Enquanto a situação económica, o crescimento económico o permitir e enquanto a força de Lula, do PT e das organizações que ele dirige permitirem conter as reivindicações dos trabalhadores e camadas oprimidas da sociedade, é factível dar um pouco aos de abaixo sem tirar nada aos de acima. Lula parece crer, e ao que parece tem convencido disso o PT, que, mais ou menos, é possível governar para todos, substituindo a luta de classes pela negociação (sobretudo com os de acima) e o controlo (para os de baixo, quando a negociação não for suficiente). Nalgum momento – como parece que começa a acontecer – essa linha terá de se esgotar. Afinal, os governos do PT não eliminaram as violentas contradições da sociedade brasileira, nem a dependência do imperialismo, nem as contradições do capitalismo. E o controlo das reivindicações dos de baixo por parte do PT e dos seus aliados e das organizações dirigidas por eles não pode ser eterno. Toda essa linha enfraqueceu o movimento operário e popular, e esta situação manter-se-á pelo menos durante uns anos, até que este possa se reorganizar. Até agora isso parecia secundário ao PT, pois contava com a força eleitoral, ampliada mediante as alargadíssimas alianças que ia fazendo com a direita.

Há outros aspetos da linha do governo que são muito negativos. Um que é preciso destacar é o desprezo pelas questões ambientais, reforçado pelas alianças com os setores do agronegócio. Outro é a abertura de espaço à direita fundamentalista religiosa, reforçada também pela importância que tem no seu aparelho de alianças.

Quando e como nascem os protestos? Quais são as reivindicações?

Há muitas reivindicações diferentes, e até contraditórias, que nasceram em momentos diferentes. Mas podemos considerar que o centro do movimento tem sido a cidade de São Paulo, e que a reivindicação que deu origem às mobilizações foi a revogação do aumento do preço do transporte urbano, que passado de 3,00 para 3,20 reais [aproximadamente de 1,03 euro para 1,20 euro]. A primeira manifestação foi em 6 de junho. Enquanto a reivindicação era basicamente essa, houve outras duas manifestações, que foram crescendo, mas sem atingir um nível extraordinário: alguns milhares de pessoas. Em 13 de junho houve uma manifestação maior (pelo menos 15 mil pessoas) e nesse momento houve uma repressão policial mais forte que nas manifestações anteriores. Mais de 250 pessoas foram detidas e algumas dezenas feridas por balas de borracha ou por bastonadas. Vários jornalistas foram detidos e feridos. Foi muito difundida a fotografia de uma jornalista ferida por uma bala de borracha no olho. Foi a partir daí que ocorreu o grande crescimento da mobilização em São Paulo e a extensão do movimento. Na manifestação seguinte em São Paulo, a 17 de junho, junto com a revogação do aumento do preço do transporte urbano, o eixo foi o protesto contra a violência policial. Entre 13 e 17, as manifestações contaram com uma grande onda de simpatia e um forte sentimento social contra a violência policial e pelo direito de manifestação. Nesses dias houve uma mudança na atitude dos grandes meios de comunicação, que passaram de uma aberta hostilidade ao "irrealismo" da reivindicação, a certa simpatia (ainda que considerando que o aumento do preço tinha sido "pequeno"...) e, sobretudo, de atribuir a responsabilidade dos atos violentos aos manifestantes a atribuí-la à polícia militar pelos seus "excessos".

Nesse contexto, o governo do Estado decidiu mudar de linha e suspender (parcialmente) a repressão. O sentimento de solidariedade às manifestações, a rejeição à violência da polícia, a atitude mais favorável dos meios de comunicação... favoreceram a extensão das manifestações e o seu impacto nacional (a imprensa calculou que houve manifestações em mais de 400 cidades) e, ao mesmo tempo, a ampliação da suas reivindicações. Como já disse, o protesto contra a repressão passou a ser o centro das motivações; além das palavras de ordem a respeito do transporte, a mais comum foi: "que coincidência, sem polícia não há violência" (já que a manifestação, quase até ao fianl, foi muito tranquila). Na manifestação da segunda-feira 17 junho, outro tema importante foi o protesto contra as exorbitantes despesas no Mundial de Futebol e a Copa das Confederações. Houve uma grande presença de palavras de ordem do tipo: "eu não quero bola, quero escola". Também foram gritadas palavras de ordem afirmando que a saúde e a educação são mais importantes que o futebol. Junto a elas, tiveram peso palavras de ordem contra a homofobia, tema que deu origem a muitas mobilizações contra a direita fundamentalista religiosa nos meses anteriores (há uma grande mobilização de opinião publica neste momento contra o projeto de lei que permite tratar a homossexualidade como doença, um projeto que é defendido pela direita fundamentalista religiosa). Ao mesmo tempo, começaram a ter uma forte presença slogans contra a corrupção. Evidentemente, correspondem a um sentimento popular, mas também a uma linha da imprensa mais de direita. No fim de semana do 15 e 16 de junho, a revista de maior circulação do país – e a mais à direita –, a Veja, tinha o seguinte título de capa: "A revolta dos jovens – Depois do preço das passagens, a vez da corrupção e da criminalidade?". Outros órgãos de imprensa não foram ao ponto de propor à juventude que lute contra a criminalidade (isto é, por mais polícia), mas destacaram também a questão da corrupção. Nas manifestações da segunda-feira 17 também começaram a ter presença grupos claramente de extrema direita, colaborando com provocadores da polícia, mas de maneira ainda pouco expressiva. Todo isso reforçou, sobretudo, o sentimento contra "os partidos" e, principalmente, contra as suas bandeiras. A partir da quinta-feira 20, a presença dos grupos de direita acentuou-se mais. Ao mesmo tempo que as manifestações se tornaram massivas e se estenderam a todo o país (já na segunda-feira 17 houve manifestações em muitas capitais do país e noutras cidades, com seguramente bem mais de 100 mil pessoas em São Paulo e mais de 100 mil no Rio de Janeiro segundo os meios de comunicação), também começaram a ter muita diversidade e a incubar contradições importantes.

Há semelhanças com as mobilizações de indignados noutros países?

É certo que há muitas semelhanças entre os protestos de Brasil e os movimentos de indignados de outros países. São, sobretudo, movimentos da juventude (ainda que o Brasil tenha, a partir de segunda-feira 17, mais presença de outros grupos de idade); todos se valeram de meios de convocação por Facebook e outros desse género. Há um sentimento de indignação diante da injustiça que é uma componente forte das motivações do movimento. Mas, naturalmente, há muitas particularidades do Brasil; por exemplo, não acho que em nenhum outro país o movimento de indignados se tenha confrontado com um governo de um partido com a história do PT. É possível também que no Brasil contemos com uma rede de organizações sociais e populares "não tradicionais" de vários tipos mais forte que noutros países.

Quais são os sectores sociais que estão na origem das mobilizações, suas formas de luta e organização?

Na origem do movimento contra o aumento do preço do transporte público em São Paulo esteve o Movimento Passe Livre (MPL, isto é, pelo transporte público gratuito). É um movimento que existe desde 2005 e que impulsionou mobilizações muitas vezes, mas jamais com a amplitude de agora. É um movimento que se define como apartidário e anti-hierárquico, horizontal, mas não antipartidos. Em geral, sempre tem tido boas relações com os partidos mais à esquerda, como o PSOL e o PSTU. De facto, o PSOL e o PSTU apoiaram as mobilizações desde o 6 de junho, colaborando com o MPL; também alguns sectores do PT se juntaram. Organizações de juventude próximas ao PSOL (nas quais militam jovens do PSOL) tiveram uma participação importante. Desde o início participaram também setores anarquistas. A base social do MPL é sobretudo a juventude das "camadas médias" (como o são os próprios membros do MPL). Não há dúvida que é um movimento de esquerda e, em general, mais à esquerda que o PT. Após o 13 de junho, muitos outros movimentos e organizações incorporaram-se às mobilizações e participaram nas suas convocatórias. Em São Paulo, destacaram-se o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o movimento Periferia Ativa, que organizam pessoas sem acesso à moradia nas periferias da cidade. Também setores do movimento de mulheres, do LGBT fizeram apelos à mobilização, além de movimentos de juventude. A esquerda governamental (sectores do PT e o PC do B) fez o mesmo. A participação de anarquistas ampliou-se. Por outro lado, como já disse antes, determinados grupos de extrema-direita começaram a participar com o objetivo de tentar mudar o foco do movimento.

Noutras cidades, os setores que convocaram as manifestações são semelhantes: coletivos que lutam pela gratuitidade ou contra os aumentos de preços dos transportes públicos (o MPL não existe em todo o país; em diversas cidades há movimentos semelhantes), em colaboração com partidos de esquerda. Em muitas cidades há Comités Populares da Copa, que há mais de dois anos organizam uma mobilização crítica não apenas contra as exorbitantes despesas do Mundial de Futebol como também contra as violações de direitos de populações deslocadas pelas obras em curso, contra a legislação de exceção durante o campeonato (por exigência da FIFA), etc. Em muitas cidades, esses comités tiveram (e continuam a ter) uma participação importante na convocação de manifestações. De facto, as manifestações que têm sido mais violentamente reprimidas pela polícia, por exigências da FIFA, são as próximas aos estádios em que se joga a Copa das Confederações; em geral, durante a semana passada, houve mais gente a protestar fora dos estádios de futebol que a ver os jogos.

Que relação tem o movimento atual com os outros movimentos sociais: sem terra, sem teto, etc.? Há articulação entre este movimento e outros setores sociais?

Como expliquei na pergunta anterior, há uma participação importante dos movimentos sem teto, de jovens, de habitantes das periferias, dos comités populares da Copa. Em algumas cidades, o Movimento Sem Terra apoiou as manifestações, ainda que estas estejam protagonizadas pela população urbana. Por outro lado, não há relação, ou não há boa relação, entre as mobilizações atuais e o movimento operário organizado. Podemos dizer que não se nota a participação da classe operária como classe, ainda que a CUT (e acho que também outras centrais sindicais) tenham começado a apoiar formalmente as manifestações. Eu acho que a dificuldade mais importante para isso – que afeta também, em alguma medida, as relações entre o movimento que se expressa nas manifestações e o MST – é o controlo da CUT pelo governo federal e a excessiva proximidade do MST com esse mesmo governo. Naturalmente, o tom do movimento é muito contra o governo federal (além dos governos estatais e as prefeituras em general).

Na Europa vê-se com perplexidade que no país do futebol as pessoas se mobilizem a pedir menos futebol e mais investimentos em outros sectores (educação, saúde, etc.). Como explicas isto?

De facto, também para nós, isso, junto com o tamanho das manifestações, foi uma surpresa Mas não é difícil encontrar a explicação. Esta Copa das Confederações (e, com ainda maior razão, vai acontecer o mesmo com o Mundial) não está feita para que o povo possa participar. Os bilhetes são caros. Além disso, e mais importante que isso, todo o processo de organização dos chamados "megaeventos" (Mundial de Futebol, Olimpíadas, Copa das Confederações) é escandaloso e ofende o sentimento de justiça da gente. A despesa é muito grande, o benefício das empresas é muito grande, as exigências da FIFA em matéria de segurança – um verdadeiro estado de exceção – são absurdas. Uma parte da população sofre pelas deslocações em consequência das obras. Eu acho que, em vez de funcionar como um atenuador das mobilizações, a Copa das Confederações impulsionou-as fortemente. O sentimento de justiça, a indignação contra a injustiça das pessoas falou mais alto que o gosto pelo futebol.

Qual é a resposta do governo às reivindicações do movimento? Há contradições no aparelho do Estado?

O governo, ou melhor, os diferentes governos [estaduais e municipais] de diferentes partidos por todo o país, cederam na questão dos preços do transporte urbano. Nesse tema inicial, o movimento obteve uma clara e rápida vitória. Além disso, na sexta-feira 21, a presidente da República fez um discurso prometendo "ouvir a voz das ruas", dizendo que "não tolerará distúrbios" e, sobretudo, garantindo a segurança dos jogos da Copa das Confederações e propondo "um pacto nacional pelos serviços públicos". Isto é, não propõe nenhuma mudança de orientação política; só diz que vai tentar fazer as coisas de forma mas eficiente e com mais coordenação, o mesmo que vinha a fazer até agora com os governadores de Estados e prefeitos. Ainda é cedo para dizer se isso terá algum impacto. Pelo momento não parece que se tenham dado mudanças na situação. As mobilizações continuam e há mais previstas para os próximos dias [na segunda-feira dia 24, a presidenta comprometeu-se a organizar um referendo que abra caminho a uma reforma constitucional].

Nas respostas que deram os diferentes governos de diferentes partidos (do PT e de seus aliados, e da oposição de direita) houve muito mais semelhanças que diferenças. Não acho que, de momento, se possa falar de nada que se pareça a contradições no aparelho do Estado.

Que relação há entre este movimento e a esquerda? Pensas que está a ser recuperado pela direita?

Referi-me antes a essa questão. O movimento tem uma clara tendência apartidária (no sentido que há uma desconfiança forte com relação aos partidos), ainda que eu não o chamaria, de maneira nenhuma, apolítico. A tendência inicial do movimento foi muito claramente de esquerda: a bandeira do transporte público gratuito (ou a revogação dos aumentos dos preços) é claramente de esquerda. Outros temas do movimento, como a crítica às despesas exorbitantes da Copa, a defesa de melhor saúde e educação, são também de esquerda, da mesma maneira que as consignas contra a homofobia, por exemplo. Por outro lado, a partir da manifestação da quinta-feira 13 de junho em São Paulo, quando ficou claro que o movimento teria um grande crescimento, a direita, e inclusive a extrema direita, começou a mobilizar-se para o controlar apoiando-se nos meios de comunicação e na sua presença direta nas manifestações. Na quinta-feira 20 de junho, em várias cidades, sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro, onde ocorreram as manifestações maiores, a presença agressiva de grupos de extrema direita, com a colaboração de provocadores policiais, conseguiu uma vitória parcial expulsando das manifestações as pessoas que levavam bandeiras de partidos ou de movimentos. Em São Paulo, a ação começou contra as bandeiras do PT, mas depois estendeu-se a bandeiras de outros partidos ou movimentos. E chegou até ao assédio a pessoas que simplesmente vestiam roupa vermelha.

Essas agressões puderam-se apoiar no sentimento espontâneo de desconfiança em relação aos partidos que, pelo menos, tem duas razões diferentes: o desprestigio dos partidos institucionais (até pessoas que apoiam o governo têm uma ideia negativa dos partidos que o integram) e o que é visto, com bastante razão, como oportunismo dos partidos mais de esquerda que, ao levar grandes bandeiras e situar-se à frente das manifestações, procuram dar a impressão de que uma grande parte das pessoas que se manifesta os apoia. Além disso, esse sentimento foi muito reforçado pelos meios de comunicação burgueses, que procuram impulsionar o sentimento de que "todos devem unir-se em torno da bandeira brasileira".

Não acho que o movimento esteja a ser recuperado pela direita, nem que o possa ser de momento. O que há é uma grande luta de orientações e de consignas. É muito importante assinalar que até agora o que se conseguiu concretamente foram vitórias de esquerda, por exemplo, as revogações dos aumentos dos preços do transporte urbano em todo o país. É interessante observar que o anúncio dessa revogação em São Paulo e Rio de Janeiro, e em várias outras cidades, foi conhecido na quarta-feira 19 (outras cidades já o tinham feito antes). Apesar disso, a manifestação prevista nessas cidades para o dia 20 manteve-se "como comemoração". O sentimento de vitória ampliou a participação na manifestação (os meios de comunicação têm falado em mais de 300.000 pessoas no Rio de Janeiro, por exemplo), mas, ao mesmo tempo, deixou-a sem nenhum objetivo unificador claro.

Uma questão chave é que sectores significativos do povo têm feito a experiência de participar em mobilizações de massa, que obtiveram vitórias, e gostaram. Mais adiante, isto pode esgotar-se por cansaço, mas não acho que possa ser recuperado pela direita.

Que problemas este movimento põe ao PT?

A situação do PT é muito difícil, pelo menos no imediato. Não há dúvida que é o partido que mais perdeu com as mobilizações. Sobretudo, perdeu uma boa parte do seu discurso dos últimos anos: não vai poder continuar a dizer que há um processo de desenvolvimento no Brasil e que o povo está satisfeito. E uma de suas orientações centrais, a política dos "megaeventos", fracassou completamente. A Copa das Confederações, que via como uma oportunidade de aumento do seu prestígio, tem significado um imenso desgaste.

É a primeira vez na sua história que o PT se confronta com grandes mobilizações de massas que lhe são hostis. Desde o início do governo Lula – já com a muito conservadora reforma das pensões – o PT se acostumou a fazer frente a greves e mobilizações contrárias aos seus diferentes governos. Muitas vezes, contando com a colaboração da maior parte das direções sindicais, tem negociado; outras vezes, recorreu à repressão. Mas até a maior mobilização contra um dos seu governos – contra a reforma conservadora das pensões – não se pode comparar com o tamanho e quantidade das mobilizações que há atualmente.

Obviamente, isso está a provocar um profundo mal-estar no PT. Antes da quinta-feira 20, o presidente do partido Rui Falcão, fez um apelo à militância do PT para que participasse nas manifestações com as suas bandeiras. O resultado foi um desastre: boa parte dos manifestantes viram-no como uma provocação e foi uma das razões que facilitou aos grupos de extrema direita a expulsão dos militantes que levavam bandeiras de partidos (e de movimentos).

Agora, a tendência predominante no PT, e sobretudo nos sectores que o apoiam a partir de uma posição mais à esquerda, como faz o MST nos últimos anos, é chamar à unidade de toda a esquerda (ou seja, com a oposição de esquerda aos governos do PT), para fazer uma frente comum "contra a direita". Mas isto é muito contraditório com o facto de que os governos do PT não mostram nenhum sinal de mudança de orientação. Mantêm a mesma linha que provocou (e continua provocando) as manifestações. É evidente que a oposição de esquerda aos governos do PT não pode aceitar uma aliança nessa base.

Que problemas põe o movimento à esquerda radical? Quais são os desafios que enfrentam atualmente estas mobilizações, para que não sejam apenas uma explosão sem futuro?

Uma primeira questão é conseguir uma boa compreensão do que acontece. Também a esquerda radical foi surpreendida pela amplitude das mobilizações e a complexidade da luta que acontece neste momento entre sectores de esquerda e de direita nas manifestações. Estamos a avançar, creio, no entendimento da situação.

Uma segunda questão é a relação com o PT e os seus partidos satélites, como o PC do B, sobre a questão de que unidade da esquerda procurar. Há uma pressão desses sectores em favor da "unidade da esquerda". Nesse momento há um debate nos diferentes setores da esquerda radical, mas eu acho que a posição dominante é muito clara e correta: não podemos fazer nenhuma aliança com sectores que defendem, ainda que seja de forma "crítica", os governos do PT. A unidade da esquerda que devemos procurar é com os setores que estão na oposição aos governos do PT (e, obviamente, na oposição aos governos da oposição de direita ao governo federal). Isso inclui setores anarquistas, apartidários, movimentistas, como o MPL de São Paulo. Nesse marco, uma armadilha que é necessário evitar é o debate sobre as bandeiras dos partidos. É evidente que os partidos têm o direito de ter e levar bandeiras, mas agora há que encontrar a melhor maneira de combinar a defesa da legitimidade da participação dos e das militantes dos partidos nas mobilizações, sem dar a impressão (e em muitos casos não se trata só de uma "impressão") de querer aparecer como a direção do movimento e sem difundir, de forma pouco honesta, a ideia de que todos os manifestantes apoiam o partido. Há outros símbolos de partidos que são bem mais aceites, como, por exemplo, t-shirts. A batalha central não é pela "marca" dos partidos, mas pela orientação política do movimento, pelas suas reivindicações e consignas.

Com isso passamos a outro desafio, que é o de encontrar (junto com todos os sectores que impulsionam o movimento) quais são as melhores reivindicações e consignas para avançar agora. Há algumas ideias mais ou menos claras. A questão do transporte urbano – avançar para a gratuitidade ou, talvez, a gratuitidade para os jovens ou algo nesta linha, a questão da qualidade desse transporte... – continua a ser um eixo importante.

Nesta semana vão estar colocadas duas ou três questões prioritárias: os protestos contra a Copa das Confederações (e as despesas em geral dos "megaeventos"), e a luta contra o projeto de lei que permite tratar a homossexualidade como doença, defendido pela direita fundamentalista religiosa. Já houve uma manifestação bastante grande em São Paulo estritamente sobre esse tema (na sexta-feira 21), com mais de 10.000 pessoas, e é um tema que tem estado muito presente em muitas das manifestações mais de massa. O tema está em debate na Câmara de Deputados e muitos deputados já começam a fazer declarações afirmando que há que se posicionar contra. Uma vitória em curto prazo parece muito provável.

Finalmente, o desafio mais duro é a batalha contra a direita (em especial, os grandes meios de comunicação) e contra os grupos de extrema direita. Uma maneira de levá-la a cabo é, justamente, convocar manifestações por reivindicações e consignas claras, nas quais os manifestantes terão naturalmente uma inclinação à esquerda, e os grupos de direita e extrema direita, se participarem, estarão isolados.

A unidade da esquerda não governamental é outra maneira de fazer frente à direita. Também será necessário cuidar dos aspetos mais organizativos, como a proteção dos manifestantes contra as provocações.

Como definirias a situação política do Brasil hoje?

Há sinais de que a política do PT no poder – como resumi antes: dar alguma coisa para "os de baixo", na condição de não entrar em nenhum conflito com as classes dominantes – se está a esgotar. O PT foi, sem dúvida, o partido mais afetado pelas manifestações, ainda que outros partidos governamentais aliados do PT (como o PMDB, do governador de Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, muito criticado pelos manifestantes) ou opositores a ele (como o PSDB, do governador de São Paulo), também tenham sido afetados.

Não acho que haja qualquer possibilidade de golpe da direita, como alguns sectores do PT têm sugerido. A direita não tem nenhuma razão para dar um golpe: o governo do PT pode não ser o governo dos seus sonhos, mas serve-a bem. Nesta crise, os partidos mais à direita comportaram-se de uma maneira muito parecida à do PT. O que interessa à direita é aproveitar a crise para desgastar o PT (fala muito nos meios de comunicação de corrupção, tentando fazer passar a ideia de que o problema da corrupção é uma questão mais federal que estadual) e se posicionar melhor para as próximas eleições.

Não está claro até onde vai o movimento, nem em que medida representará uma mudança na correlação de forças. Temos indicações de que o movimento tem forças para seguir adiante, pode conquistar mais vitórias, mas não parece provável que leve por si mesmo a uma mudança mais fundamental. Uma limitação chave é que, ainda que a perda de legitimidade do sistema político seja forte, o movimento não se propõe o objetivo de mudar o regime político ou o governo, e estamos longe do "que saiam todos".

Por outro lado, parece certo que haverá alguma mudança na correlação de forças como efeito das mobilizações. O PT e os seus satélites perderam muito, a oposição de direita também perdeu, ainda que menos. As organizações do movimento social mais próximas do PT e dos seus aliados, como a CUT, que já estão muito burocratizadas, provavelmente vão perder alguma coisa. Organizações mais independentes, como as diferentes organizações que têm impulsionado as mobilizações, provavelmente vão reforçar-se.

Quanto aos partidos políticos não governamentais (que são bem mais fracos que o PT ou que os partidos da oposição de direita), podemos avaliar que um partido que se vai reforçar é a Rede Sustentabilidade de Marina Silva, partido que está ainda em processo de obtenção do registo. É um partido que, já a partir do seu nome, tenta fazer parecer que não é um partido. Tem uma imagem "limpa" e não está em nenhum governo. O PSOL, provavelmente, também já foi beneficiado pelo movimento, e poderá sê-lo mais, ainda que apareça a muitos dos manifestantes como, de certa forma, "parecido" com o PT, já que é um partido de esquerda, e o PT ainda é visto pela população como o maior representante da esquerda, sem esquecer que o sentimento de desconfiança dos partidos em geral é forte. O PSOL é o partido que tem mais sintonia com as reivindicações que deram origem ao movimento e que predominam nele. Além disso, os seus militantes (e inclusive os seus parlamentares) participaram desde o início nas mobilizações, especialmente os seus militantes mais jovens. É certo que as organizações juvenis próximas ao PSOL têm já mais autoridade, e se vão reforçar. Em todo o caso, muitas coisas vão decidir-se nas lutas dos próximos dias ou semanas.

Há uma alternativa credível à esquerda do PT? Quais são os principais desafios que enfrenta a esquerda anticapitalista?

No momento, não há uma alternativa credível à esquerda do PT a nível nacional. Ainda estamos nas fases iniciais da reconstrução da esquerda anticapitalista brasileira, após o golpe que sofreu com a adesão do PT à institucionalidade burguesa. O PSOL, que é de longe a principal alternativa política à esquerda do PT, ainda é muito fraco, e tem, além disso, muitas contradições internas. Pode ser uma alternativa credível nalgumas cidades, como sucedeu nas eleições de outubro do 2012, mas não a nível nacional. O principal desafio que a esquerda anticapitalista tem neste momento é contribuir para o desenvolvimento do movimento, no sentido que comentei anteriormente. Se o conseguir, estará ao mesmo tempo avançando no processo da sua reconstrução e de constituir-se como uma alternativa credível à esquerda do PT.

25 de junho de 2013

João Machado integra a direção nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a corrente Enlace. É militante da IV Internacional (Comité Internacional).

Publicado originalmente em castelhano em Viento Sur. Tradução do esquerda.net

(...)

Resto dossier

A Primavera do Brasil

Uma gota d'água de 20 centavos foi suficiente para que o descontentamento popular extravasasse todas as barreiras no Brasil e expusesse os pés de barro do seu tão falado desenvolvimento. Neste dossier coordenado por Luis Leiria, o Esquerda.net reúne informações que permitam ao leitor compreender melhor o contexto dos atuais acontecimentos, para além de dar acesso à cobertura que o portal vem fazendo desde o início.

A cobertura do Esquerda.net

Acompanhe aqui a cobertura dos protestos no Brasil realizada pelo Esquerda.net, sempre atualizada, através deste link

Cronologia dos vinte dias que abalaram o Brasil

Relembre os acontecimentos que começaram com um protesto de 2 a 4 mil pessoas e se transformaram num poderoso movimento que sacudiu o país de Norte a Sul.

Os limites do crescimento e da distribuição de rendimento

Houve um aumento do rendimento do trabalho no período do governo Lula, mas a redução da desigualdade foi muito pequena e a ideia de que o Brasil se tornou num país de classe média é uma construção ideológica que não corresponde à realidade. Compilação de alguns artigos de Valério Arcary, Márcio Pochmann, Ruy Braga e Reinaldo Gonçalves. Com links para os originais, cuja leitura recomendamos.

Por que protestam contra a Copa

Em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza protestos contra a Copa misturam-se às bandeiras por participação política, transporte e serviços públicos de qualidade. Veja aqui sete razões para que a festa esteja a transformar-se em manifestação. Por Marina Amaral, Agência Pública.

Quem somos

Que representa o Brasil? As avançadas tecnologias ou a miséria analfabeta de grande parte das escolas públicas? A medicina de ponta disponível em hospitais caríssimos, ou a decadência dos hospitais públicos sem estrutura? Por Sérgio Denicolli.

“Decifra-me ou te devoro”: os grandes média e as manifestações

Como a Globo foi mudando a sua cobertura das manifestações, da denúncia como atos de “vândalos” ao suposto “apoio”, tentando esvaziar o seu conteúdo social. Por Gilberto Calil, Blog Convergência

Nunca foi só por 20 centavos! Nunca foi só por uma bandeira!

Quando estamos diante de grandes mobilizações de massas, com milhares de pessoas, em condições de liberdades democráticas, em que não seremos presos pela polícia, não é somente um direito, mas, também, um dever dos socialistas levantar as suas bandeiras. Não o fazemos porque queremos “aparecer”. Estamos defendendo um programa. Não somos surfistas das lutas, somos parte, lado a lado, dos agitadores e organizadores das lutas. Por Valério Arcary, Blog Convergência

O significado e as perspetivas das mobilizações de rua

Para João Pedro Stedile, a juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica. Assim, estão sendo disputados pelas ideias da direita e da esquerda. Por Nilton Vianna, Brasil de Fato.

“A esquerda radical também foi surpreendida pela amplitude das mobilizações"

Há sinais de que a política do PT no poder se está a esgotar e que o PT foi, sem dúvida, o partido mais afetado pelas manifestações, diz nesta entrevista João Machado, da direção nacional do PSOL, para quem organizações mais independentes, como as que têm impulsionado as mobilizações, provavelmente vão reforçar-se. Por Juan Tortosa, Solidarités

Rede Globo, o povo não é bobo

Por representar o que há de mais comprometido com o capitalismo selvagem, a perspetiva da Rede Globo é emblemática de como a plutocracia enxerga as mobilizações populares que ameaçam os seus privilégios seculares. Por Plínio de Arruda Sampaio Jr.

Brasil: Como os média mudaram de posição em poucos dias

Veja alguns exemplos de como os grandes meios de comunicação brasileiros atacaram os protestos e icentivaram a repressão, para depois mudar totalmente de atitude.

A guerra cibernética e a sublevação popular no Brasil

A disputa pela consciência desse movimento e do conjunto da classe trabalhadora será dada de forma cada vez mais importante numa arena nova e ainda de potencial imprevisível: a das comunicações eletrónicas por meio da Internet. Por Henrique Carneiro, Blog Convergência

O Petróleo garante os 10% do PIB para a Educação?

No seu discurso à nação, no dia 24 de junho, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, afirmou que o seu governo "tem lutado" para que "100% dos royalties do petróleo e 50% do pré-sal [jazidas de petróleo a grande profundidade] sejam investidos na Educação". Esses recursos, porém, não são suficientes para responder ao clamor nacional.

Não há problemas técnicos nem financeiros para implantar a Tarifa Zero

De acordo com Lucio Gregori, ex-secretário de transportes da Prefeitura de S. Paulo e um dos precursores do projeto Tarifa Zero, o passe livre não é nenhuma utopia de jovens “vândalos” e “desocupados”. Por Gabriel Brito e Valéria Nader, da redação do Correio da Cidadania.