Cecília Honório afirma que Passos Coelho omitiu na sua mensagem de Natal "a evidência", isto é, que "2013 será o pior ano da história da nossa democracia", e, por isso, deveria ter dito: "a este governo se deverão, no próximo ano, as mais duras políticas de sempre e se a receita fundamentalista falhar, faremos o mesmo do costume, mais austeridade e sacrifícios".
A deputada Helena Pinto afirma que a reforma administrativa do território é uma "lei anti-democrática que não tem futuro, uma autêntica trapalhada, uma lei que não tem o apoio nem de autarcas, nem população, a não ser dos próprios deputados da direita". A deputada diz ainda esperar que o Presidente da República pondere vetar esta lei.
João Semedo acusou Passos Coelho de ignorar o aumento da dívida, confundir o regime especial de uma elite de pensões douradas com o regime geral da Segurança Social, e questionou-o sobre o verdadeiro papel de Miguel Relvas no plano das privatizações.
Helena Pinto apresenta o projeto de lei bloquista que "altera o regime de renda apoiada para uma maior justiça social" e defende que se suspenda imediatamente a aplicação do atual regime aos bairros sociais, para prevenir "o que poderá ser uma catástrofe social".
A deputada Helena Pinto saúda os milhares de peticionários que de norte a sul do país trouxeram petições contra a reforma territorial autárquica “que o Governo impõe contra as populações” e com a qual extingue mais de mil freguesias, e apela à revogação da Lei n.º 22/2012. Ver também “Governo teve medo dos referendos sobre a reorganização autárquica”
Pedro Filipe Soares sublinha a "ladainha ideológica da direita" no tema das privatizações, criticando as "verdades absolutas que afinal têm pés de barro", e lembra como, apesar de todas as privatizações, a dívida continua a crescer.
No debate sobre o regime jurídico das autarquias locais, Miguel Relvas não esclareceu quantas "reformas douradas" pretende criar. Helena Pinto classifica esta proposta de lei do Governo como "centralista, presidencialista e contra a autonomia das autarquias locais".
Para Marisa Matias, o resultado das últimas reuniões dos ministros das Finanças da UE demonstra que "todas as dívidas são restruturáveis, os juros podem ser abatidos, os prazos podem ser alargados".
"A cada Cimeira Europeia, o Governo anuncia que agora sim, já se vê uma luz ao fundo do túnel", diz Ana Drago, continuando: "Contudo, é muito possível que essa luz seja um comboio em sentido contrário a dirigir-se contra o país". A deputada acusa ainda Passos Coelho de ser "o bom aluno aplicado em prejudicar a vida dos portugueses".
João Semedo confronta Passos Coelhos com as suas declarações contraditórias sobre a exigência de condições de igualdade no pagamento dos empréstimos entre países europeus: num dia era "um alívio", noutro dia já era "uma ansiedade que é necessário evitar".
O deputado Luís Fazenda afirma que “o Governo e a direita não pararam um minuto para repensar qualquer solução para a reorganização administrativa do território”, preparando-se para “aprovar a pacote” a extinção de mais de 1100 freguesias, “reformando contra as pessoas”.
A deputada Francisca Almeida interveio em defesa de Passos Coelho e acusou o Bloco de não ter apresentado alternativas no Orçamento. Na resposta, Ana Drago dispensou os eufemismos parlamentares e foi direta ao assunto.
A deputada Helena Pinto afirma que a maioria de direita e o Governo têm de reconhecer que o aumento do IVA na restauração foi um "erro colossal", uma medida que foi "um sucesso de falências e desemprego".
A deputada Mariana Aiveca afirma que a suspensão dos subsídios de férias e de Natal "não é inevitável" e critica a incompetência do Governo na procura de alternativas. "Poderiam cortar nos juros e não o fazem", disse.
No debate do OE'2013, na especialidade, a deputada Mariana Aiveca afirma que o Governo apenas tem para dizer aos trabalhadores precários: "emigrem ou vão para rua!" e questiona-o sobre o maior despedimento coletivo de que há memória, previsto no orçamento.
João Semedo afirma que o Governo chega ao debate sobre o Conselho Europeu "resignado". "Um Governo que impõe tantos cortes no orçamento do seu país e tantos sacrifícios ao seu povo, não tem autoridade para contestar cortes no orçamento comunitário", disse. "Um Governo submisso à troika não irá bater o pé à Sra. Merkel, nem à elite europeia", acrescentou.
"A guerra nunca é cirúrgica e muito menos inteligente", declarou Alda Sousa, exigindo uma tomada de posição da Europa que recebeu o Nobel da Paz para parar o massacre israelita sobre Gaza.
Ana Drago acusa Passos Coelho pelo "gigantesco embuste" que trouxe ao parlamento: "No dia em que apresenta a proposta de Orçamento de Estado mais brutal da história da democracia, Passos Coelho falou ao país como se tivesse sido ontem eleito e não, como é, o primeiro-ministro responsável pelo falhanço de todas, mas todas, as metas orçamentais que tem vindo a defender no último ano".
No encerramento do debate do OE' 2013 na generalidade, Luís Fazenda critica a austeridade "agravada e sem horizonte" prevista no orçamento do Governo e o seu conflito permanente com a Constituição - "estão a abrir um conflito de regime".