Vicente Ferreira

Vicente Ferreira

Economista

Boa parte dos problemas no acolhimento da população imigrante é consequência da forma perversa como a economia a tem integrado. Mais do que saber do que precisa a economia que temos, devemos preocupar-nos em saber de que economia é que precisamos.

O anúncio de tarifas comerciais generalizadas por parte dos EUA provocou ondas de choque no resto do mundo. O que é que podemos esperar?

Com necessidades de investimentos evidentes para reforçar os serviços públicos e promover a transição energética, uma nova vaga de cortes no investimento público e no Estado Social em nome do rearmamento só vai acentuar os problemas.

É cada vez mais difícil justificar adiar o investimento em medidas de adaptação às alterações climáticas. É necessária uma discussão mais abrangente sobre a transformação estrutural dos sistemas de produção e distribuição de bens essenciais, sem ceder a teses catastrofistas.

Na imprensa económica, Javier Milei tem merecido elogios pela contenção da taxa de inflação. Porém, a economia contraiu mais do que se esperava e a Argentina entrou em recessão técnica, com o desemprego a aumentar. É difícil ignorar os custos sociais da política económica de Milei.

Tudo isto obriga a repensar o combate à inflação – e, de uma forma mais geral, a política económica. Há lições a retirar sobre a política macroeconómica da Zona Euro, responsável pela estagnação pré-pandémica, e sobre a resposta a choques inflacionistas como o dos últimos anos.

Além de repensar o combate à inflação, os problemas que as economias enfrentam atualmente sugerem que se deve reavaliar a política económica de uma forma mais abrangente.

Os últimos anos tornaram mais claro o enorme poder das maiores empresas para definir aumentos de preços e proteger (ou aumentar) as suas margens de lucro em contextos em que a maioria das pessoas atravessa dificuldades.

O Índice de Preços no Consumidor é um indicador importante e não deve ser desvalorizado. Mas é preciso ter em conta que não capta tudo e que há questões às quais não permite responder. Usar o IPC para avaliar a evolução dos “salários reais” pode não ser o mais adequado.

A política monetária, tal como a política orçamental, é política: depende de premissas discutíveis sobre as origens, os custos e os benefícios da inflação. Esta questão não se vai tornar menos relevante nos próximos anos.