Pedro Soares

Pedro Soares

Docente universitário IGOT/CEG; dirigente da associação ambientalista URTICA. Dirigente do Bloco de Esquerda

As medidas do Governo para o “pós-fogos” são demagógicas, amplamente ineficazes e demonstram um enorme desprezo pelas populações rurais e pelas economias locais.

A reforma que o Governo quer do IRC constitui mais um elemento da política de transferência brutal de rendimentos do trabalho para o capital, que prejudica a economia, agrava o desemprego e aumenta a injustiça e as desigualdades sociais.

Contra o afunilamento da democracia, a esquerda tem de colocar no topo da sua agenda a cidadania e a participação.

A primeira lição das eleições italianas confronta com uma derrota os defensores dos governos de tecnocratas indicados e não eleitos que aplicam a austeridade. Mas há outras lições a retirar...

Um verdadeiro monumento ao “patobravismo” é a mais recente proposta de lei do ministro Relvas, sobre o regime jurídico das autarquias e o estatuto das entidades intermunicipais, aprovada pela maioria governamental.

O Governo foi claramente derrotado nesta primeira fase da reforma territorial autárquica.

O Governo prepara-se para aprovar um decreto-lei que liberaliza a plantação do eucalipto e de outras espécies de crescimento rápido. É um verdadeiro favor à indústria da pasta de papel e um atentado à floresta e ao ambiente.

Um aumento de queixas relacionadas com os direitos das crianças, nomeadamente com abandono escolar e trabalho infantil, foi reportado pelo Provedor de Justiça ao comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa em visita recente ao país.

Longe das grandes áreas metropolitanas e dos centros do poder, a crise social é uma realidade. A fome existe no Douro, como quando o desemprego e os salários em atraso fustigam as maiores concentrações industriais do país.

Pela proposta aprovada pelo Governo, é imposta a extinção de mais de metade das freguesias urbanas e de 25 a 35 por cento das restantes. A resposta tem de estar à altura e bater no essencial: exigência absoluta de respeito pelas populações e pela democracia local.