Mariana Mortágua

Deputada. Coordenadora do Bloco de Esquerda. Economista.

Na abertura do período eleitoral o PS não falou das suas propostas nem assumiu compromissos concretos, pediu apenas maioria absoluta para governar sem "instabilidade".

Não são apenas os nomes dos comissários apontados, mas é também a reorganização das pastas e responsabilidades que nos indicam que a linha dura de extrema direita protagonizada por Viktor Órban ganhou poder dentro da nova Comissão.

O PS quer evitar compromissos claros. O programa eleitoral não concretiza ou quantifica medidas, é um campo de generalidades. Como guia de leitura aponta apenas para o Programa de Estabilidade (PE) para 2019-2023 elaborado pelo Governo, e que o PS assume ser a base do seu programa.

Ficamos a conhecer a lista dos 318 ex-políticos e juízes que ainda beneficiam do regime de subvenções vitalícias. Desde 2016 que o grupo parlamentar do PS se embrulhava em falsos argumentos para impedir a divulgação desta informação.

Poucos anos depois da Grande Recessão, é de novo de crise que se fala na Europa. É preciso recuar a 2013 para encontrar taxas de crescimento económico tão baixas na Zona Euro.

O Governo é responsável por assegurar soluções negociadas que corrijam injustiças há muito diagnosticadas e por garantir a eficácia de medidas de fiscalização num setor onde ficaram evidentes os sistemáticos abusos patronais.

Cinco anos depois do BES ter caído, para além de responsabilidades particulares, devemos exigir outras regras para a economia, em nome do trabalho e do desenvolvimento produtivo do país, e não de uma elite parasitária, nacional ou estrangeira.

A Amazónia não é o quintal de Bolsonaro. O que está a acontecer no Brasil é assunto nosso também. A destruição de povos indígenas e de património da Humanidade é assunto nosso também.

O "esquema de aproveitamento abusivo" utilizado pelos sócios da auditora Deloitte para receberem em Portugal dividendos livres de impostos foi esta semana noticiado pelo "Expresso".

Em Portugal, como em tantos outros países, o segredo bancário tem sido a alma dos piores negócios.