Mariana Mortágua

Deputada. Coordenadora do Bloco de Esquerda. Economista.

Uma taxa de retenção aplicável aos dividendos, juros, e outros rendimentos que saiam do nosso país para regimes como a Holanda. Aqui está a nossa proposta Hotel Califórnia.

A crise de 2008 expôs ao Mundo o falhanço do modelo económico neoliberal, seja na sua versão mais radical (nos EUA) ou mais "social" (na Europa). Doze anos depois, nada mudou a esse respeito.

Nos últimos 21 anos, o Bloco de Esquerda desenvolveu aquilo a que Ricardo Salgado chamou uma "obsessão patológica" pelos negócios dos "donos de Portugal". É essa intransigência na defesa do que é público que hoje dirigimos ao Novo Banco.

Nos últimos anos, todas as dúvidas sobre quem e a que preço estavam a ser vendidos os ativos do Novo Banco foram descartadas, com Governo, Banco de Portugal e Fundo de Resolução a insistirem, contra todas as evidências, que o modelo de venda previa suficientes formas de fiscalização.

Um acordo europeu para medidas de urgência de resposta à crise (se existir) não é um ato de "solidariedade" e quem assim o apresenta apenas alimenta uma caricatura: transferências do grupo "frugal", liderado pela Holanda, para os "esbanjadores", que Portugal integra.

A empresa precisa de um empréstimo urgente de 50 milhões de euros, que os seus principais bancos financiadores - a CGD, BCP e Novo Banco - se recusam a conceder sem uma garantia que o Estado, ao que parece, também não está disposto a dar.

A excessiva proximidade entre o Banco de Portugal e a Banca marcou as intervenções do regulador e supervisor em todos os escândalos bancários, do BPN ao BES.

No processo judicial que ameaça tirar António Mexia da presidência executiva da EDP e Manso Neto da EDP Renováveis, o Ministério Público imputou a ambos a prática de quatro crimes de corrupção ativa e de um crime de participação económica em negócio.

Desta vez a União Europeia não pode seguir a sua própria doutrina nem aplicar as receitas que criou. As regras europeias - da proibição aos estados de investir em empresas nacionais aos múltiplos constrangimentos orçamentais - afundariam a Europa e por isso foram suspensas.

A partir de 1 de junho será possível apanhar um avião cheio e andar num metro a dois terços da sua capacidade. Mas a cadeira que tiver reservado num teatro fará parte de um restrito número de lugares disponíveis, correspondentes a menos de um terço do total.