José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

As doenças negligenciadas - sejam as chamadas doenças raras sejam sobretudo as grandes epidemias do mundo pobre, como a malária ou o ébola - são o rosto de uma biopolítica global conduzida pelo primado do lucro da indústria farmacêutica.

A disponibilidade, seja de quem for, para ajudar a combater o sofrimento alheio não se discute. O que, sim, merece discussão é essa alegada superioridade das chamadas "causas humanitárias" relativamente a outras causas de mobilização social.

Para mim, Robin Williams foi John Keating. Se John Keating fosse avaliado por um zeloso comité examinador da 5 de Outubro, certamente seria excluído do sistema por não cumprir os mínimos indicadores de responsabilidade docente.

A prática dos Estados Unidos, da Itália, de França e de outros países mostra que as primárias não tratam de propostas e de programas mas de caras e de estilos. Cuidam do aspeto, não do conteúdo.

Quer o Governo fomentar a natalidade em Portugal? Pois bem, assuma a estabilidade dos vínculos laborais como imprescindível, imponha os direitos de todos à saúde, à educação e ao trabalho, proteja o País contra os credores permitindo que a economia cresça.

Ao decidir pela inclusão da petroditadura de Obiang, a CPLP aceitou abandonar a sua matriz fundadora - e a diversidade de lógicas que a animavam - e tornar-se outra coisa totalmente distinta.

A omnipresença do bloco central na governação concreta de mais de três décadas torna ilusória uma linha de divisão da política portuguesa entre o PS e o PSD.

A reestruturação da dívida, sem ser uma panaceia, é um passo essencial para a retoma do desenvolvimento e para a abertura de caminhos de mobilização nacional.

O Banco Espírito Santo é um dos grandes responsáveis pelo gigantismo da dívida externa do País que motivou a intervenção da troika - uma dívida na sua esmagadora maioria privada e cujo resgate pelo Estado passou para todos nós.

Que importam uns milhões de iraquianos, de sírios e de líbios pobres diante da garantia de que as moedas continuarão a tilintar?