José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

Os “sweetheart deals” apadrinhados pelos governos de Juncker não são menos que acordos de fuga ao fisco nos países comunitários de tributação. E é pois de fuga ao fisco em larga escala ou seja, de criminalidade económica sofisticada que se trata.

Durão Barroso viu na guerra contra o Iraque o mesmo que Bruno Maçães vê agora na guerra contra os parlamentos e os tribunais nacionais: o elixir da juventude para uma Europa que, enfim, se liberta dessa tralha chamada superioridade da lei face às estratégias de lucro das empresas.

O que no livro “Os facilitadores”, escrito pelo jornalista Gustavo Sampaio, se escalpeliza é um dos lados mais opacos – mas também mais espessos – do poder em Portugal.

O silêncio sobre Hong Kong e o silêncio sobre Kobani irmanam-se no mesmo cinismo. Em Hong Kong resiste-se pela democracia. Em Kobani resiste-se pela liberdade. E o silêncio sobre ambos é de gelo.

É por ser refém da chantagem da dívida que o país se embaratece, se rende e se vende. A dívida é para a nossa geração o que o ultimato foi para a geração que implantou a República.

Associar a subida do salário mínimo à redução da parte dos patrões na TSU é um sinal político de grande importância: o governo mostra inflexibilidade no propósito de não reequilibrar minimamente o que desequilibrou maximamente - a distribuição de rendimento entre o trabalho e o capital.

A direita nunca contesta de frente o modelo constitucional de democracia. O que faz é dizer-se sua cumpridora com a mesma sinceridade com que Mourinho elogia Jorge Jesus.

Que a maioria dos eleitos representam, em última análise, os interesses não de quem os elegeu mas de quem manda no País - esse é o núcleo da crise da democracia representativa.

A Europa concreta de que Moedas é agora a voz na ciência e investigação destruiu ou legitimou a destruição de duas décadas de qualificação de Portugal nessas áreas.

Ao escolher Juncker e Tusk, a União Europeia escolheu a via da obstinação na desregulação e na polarização social. Escolheu a via do enfraquecimento da união e da Europa.