José Manuel Pureza

José Manuel Pureza

Professor Universitário. Coordenador do Bloco de Esquerda

A direita não tardará a afastar-se de um Cavaco condenado à irrelevância. E o seu candidato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa, será o seu novo seguro de vida.

O Presidente da República foi mais rápido que a própria sombra quando se tratou de proteger o seu governo prestes a evaporar-se pela demissão irrevogável de Paulo Portas, espera-se que responsavelmente deixe de fazer pouco do país e garanta o regular funcionamento das instituições democráticas.

Deixem-me fazer-vos uma pergunta: face ao estado a que os sucessivos governos do centro e da direita conduziram o país que está aqui no nosso distrito, faz algum sentido manter a representação de Coimbra no parlamento como um exclusivo de PS, PSD e CDS?

Misturando, em doses bem medidas, ilusão política sem chão e resignação sem alma ao que está, Centeno antecipa com essa mistura o que se pode e não pode esperar de um Governo do PS.

Recuperar o que é nosso e nos tiraram como os CTT ou a TAP, a ferrovia para a Lousã ou o metro para Coimbra.

A humilhação da Grécia, a punição da escolha democrática do seu povo são a evidência de que a preservação da democracia impõe agora um confronto claro com a ordem europeia vigente.

Há um travo de Estado Novo no discurso do Governo e isso é indisfarçável. Não, não é o regresso ao fascismo. Não precisa de o ser. Porque é um claro desdém da democracia com a cobertura da própria democracia.

A falcatrua é o lado sexy do caso BES, como tinha sido antes do caso BPN ou do caso BPP. O BES era o banco do regime, diz-se. Pois bem, de que regime foi o BES o banco?

A União Europeia confina ao campo da semântica tudo o que possa colidir com o cânone da austeridade. A soberania dos povos virou semântica pura, a manutenção de serviços públicos universais também e as propostas de governação alternativa mais ainda.

O resgate da democracia passa hoje por uma rutura com a prisão em que a União Económica e Monetária se tornou.