Joana Mortágua

Joana Mortágua

Dirigente do Bloco de Esquerda, licenciada em relações internacionais.

A violência obstétrica é uma realidade pela qual muitas mulheres passam sem sequer a identificar como uma violação dos seus direitos.

E quanto a Portugal? O “exemplo verde” apresentado pelo primeiro-ministro António Costa na COP25 desta vez faltou à chamada e juntou-se a ausências como a da China, Brasil e Rússia. Entendo que o ministro Matos Fernandes não goste, mas talvez a jovem Greta não tenha assim tão pouca razão.

O PS trocou a estabilidade do país pela tentativa de vergar os partidos à sua esquerda. Não vou afirmar que o voto contra do Bloco de Esquerda era desejado, mas certamente não foi evitado.

Utilizado enquanto metáfora para a nulidade alheia, o termo é ofensivo e deve ser evitado, mas quando falamos de rubricas orçamentais reflete apenas a verdade matemática. Na corrida para o 1% do PIB, a cultura não sai da cepa torta. É esse o valor do zero à esquerda da vírgula.

A desertificação é uma espécie de doença autoimune que não tem a ver só com a população. Lembro-me de alguém me ter explicado que o deserto do norte de África aproveita as alterações climáticas para ir conquistando terreno a regiões outrora férteis.

O primeiro-ministro bem pode anunciar a bonança, mas se no final das contas ela não se sentir no bolso de quem trabalha, é porque não chegou.

Isto anda tudo ligado – enquanto o combate às alterações climáticas for empurrado para as costas das nossas decisões individuais, as desigualdades vão levar a melhor.

Será a humanidade capaz de se emancipar da sua própria destruição? A geração da greve climática lançou uma pergunta que permanece sem resposta mas que engrossou o campo do progresso.

No caso da educação, venha bazuca ou bombinha, era importante que antes tivéssemos claro para que serve.

Bolsonaro negou a ciência e com isso roubou ao seu povo o direito ao otimismo e à liberdade. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a conduta do Governo na gestão da pandemia está a confirmar que existiu uma política ativa de negligência.