Catarina Martins

Catarina Martins

Eurodeputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Atriz

O anúncio do encerramento do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian deve preocupar-nos a todos.

A OCDE vem aconselhar mais impostos, sobre o trabalho e o consumo. As pessoas que vivem do trabalho aguentam tudo...

Não somos observadores nem irresponsáveis. E não podemos assistir passivamente ao encerramento do país e à destruição dos direitos.

Ontem 600 profissionais do cinema, teatro e dança reuniram-se no Teatro Maria Matos para dizer que chega. Chega de cortes e chega de insultos.

Muito se tem falado do impacto económico da cultura. Agora falamos dos direitos e dignidade dos seus profissionais.

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direcção a Gaza chocou o mundo. Tristemente o Governo português nada mais fez do que lamentar.

O serviço público de rádio e televisão é um instrumento de poder da população. E é como tal que deve ser defendido.

Quem olha para o Teatro ou Cine-Teatro da sua cidade pode gostar ou não do que se passa lá dentro. Muitos são os que se orgulham do seu teatro municipal, muitos os que o criticam.

O acesso à pluralidade e diversidade de mundos que a arte e a cultura proporcionam é um direito; um direito de acesso ao conhecimento, acesso a escolha, a igualdade de oportunidades. E cabe ao Estado assegurar esse direito, com equipamentos culturais em todo o território e com políticas consequentes de investimento no património e nas artes.

O Ministério da Cultura até agora simplesmente não tinha meios. Agora continua sem meios, mas encontrou uma base ideológica para o justificar. A entrevista da Ministra da Cultura ao Jornal Público aponta um caminho de completa e irresponsável demissão das suas obrigações e desenha opções muito preocupantes. A lembrar outros tempos e na senda das posições mais conservadoras da direita europeia.