Beatriz Gomes Dias

Beatriz Gomes Dias

Professora. Dirigente do Bloco de Esquerda e vereadora na Câmara de Lisboa

À tentativa de esvaziar o debate, respondemos que a política não é algo sujo. Moedas faz a sua sempre que promove a cidade apenas para turistas, empreendedores e unicórnios. Fá-la também contra as pessoas que se veem em situações-limite e sem respostas habitacionais e sociais adequadas.

Em 126 dias de governo da CML, a proposta do Bloco já passou 70 na gaveta da coligação de direita, onde está guardada desde 13 de dezembro, num inequívoco incumprimento do que está previsto no regimento da Câmara.

Há que saber olhar o passado de forma crítica, para que ele não tenha a tentação de repetir-se.

O setor da cultura, com vulnerabilidades estruturais que existem, está a ser devastado por uma tempestade e continua a ser relegado para um plano secundário na estratégia do Governo. 

A construção de alianças e redes entre mulheres e organizações de jovens e ativistas que defendem a igualdade de género e o abandono da mutilação genital feminina dão-nos esperança de que esta e outras formas de violência de género serão combatidas com determinação e serão eliminadas.

Está em curso uma tentativa radical de normalização do ódio contra todas as pessoas que são representadas e percecionadas como estranhas ao corpo da nação. Mobilizam um discurso racista, que se serve dos preconceitos e estigmas que existem na sociedade e os amplifica.

É preciso abandonar de uma vez por todas o modelo que assenta na detenção de pessoas migrantes, incluindo menores, que, por algum motivo, veem recusada a sua entrada no país. Os centros de instalação temporária e espaços equiparados não são mais do que prisões.

Os efeitos da pandemia penalizaram desproporcionalmente as/os estudantes provenientes das comunidades racializadas. Uma avaliação adequada da situação deve ter em conta não só os efeitos das desigualdades socioeconómicas, como a discriminação com base na pertença étnico-racial.

O racismo e a discriminação contra as pessoas afrodescendentes, ciganas e de outras comunidades racializadas são uma realidade antiga, quotidiana e estrutural. É urgente conhecer melhor os seus sintomas. Para tal, é necessário ter acesso a dados fiáveis e abrangentes.

A emergência humanitária que se vive nos campos de refugiados da Grécia expõe a face mais obscura da política fronteira de uma Europa Fortaleza que trata como indesejadas as pessoas que procuram asilo.