Natasha Nunes

Natasha Nunes


Muito se tem reflectido sobre as dimensões e as abrangências da crise. A propósito não apenas da sua vertente económica, bem como do seu âmbito social. Importa acumular ainda que estamos perante uma crise de governabilidade. O fracasso da governação dos partidos do rotativismo neoliberal é sinónimo do estado de retrocesso do país. Enquanto as antigas elites, com todas as suas concepções desusadas e todo o seu consenso podre governarem, o país não sairá do pântano vigente. Nem o país, nem as autarquias.

A propósito da crise económica, nos últimos dias, ouvimos Teixeira dos Santos dizer que se aproxima do fim e Ferreira Leite afirmar que se trata de um abalozinho. Estas declarações são bem elucidativas da forma desnorteada como PS e PSD lidaram, lidam e pelos vistos se preparam para continuar a lidar com a questão da crise.

Toda a gente percebeu que o Banco de Portugal tem sido incompetente. Toda a gente menos Vítor Constâncio que, na sua ultima audição da Comissão de Inquérito à nacionalização do BPN na Assembleia da Republica, tudo o que conseguiu dizer foi que, quando muito, talvez tivesse havido alguma ingenuidade por parte da entidade supervisora.

A requalificação do Terreiro do Paço é mais um elemento exemplificativo do jeito autoritário com que o PS, o de António Costa em Lisboa, como o de José Sócrates no país, tem vindo a governar: de costas voltadas para os cidadãos.

A notícia de que 15 mil registos de desempregados terão sido temporariamente apagados das listas do Instituto do Emprego e Formação Profissional é grave. É grave porque evidencia duas verdades que se vinham já intuindo: (1) os números do desemprego atingem patamares muito mais significativos do que aqueles que o PM admite e (2) o governo PS, sem pejo nenhum, no que diz respeito ao maior problema que o país enfrenta, mente descaradamente aos portugueses.

Decidiram os franceses pela opção da direita. Autoritária, petulante e perigosa. Talvez não tenha sido por acaso que durante a campanha para a primeira volta das presidenciais circulasse pela net um banner com um rosto encarneirado de Sarkozy e uma legenda que dizia votez le pen. O epíteto de Sarko(na)zy com que o presidente eleito é brindado em alguns círculos só reforça esta ideia. Sarkozy incorporou no seu discurso as intransigências mais impróprias da direita mais radical, nomeadamente no que concerne ao princípio da identidade nacional e ao seu relacionamento com as comunidades imigrantes.