José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Enquanto tantos fascistas se acotovelam para ocupar as suas cadeiras no novo Parlamento e os grupos do centrão europeu se agitam na negociação dos lugares para o continuísmo, é de pequeninas luzes bruxuleantes que pode porventura nascer outra Europa.

Há muito em aberto. Mas uma coisa parece evidente: para vivermos uma vida plena, não nos basta durar, sobreviver, trabalhar. Ganhar tempo para viver é uma das conquistas mais importantes que existem, porque dela depende também, em grande medida, a nossa liberdade verdadeira.

É este mercado privado de cuidados, financiado pelo Estado, que deu resultados trágicos noutros países, como França, que o governo pretende agora criar em Portugal na resposta aos idosos. Por outro lado, no sistema educativo, passaremos a ter uma componente privatizada, de creche e pré-escolar.

Insegurança é isto: viver numa cidade em que um gang encapuzado invade a propriedade, destrói uma casa e espanca moradores (sim, também são moradores, não são?) que estão a dormir. Não há nada que justifique este crime. A sua condenação não deve vir acompanhada de nenhum “mas”.

A imigração é um bem e uma necessidade. Tem de ser acompanhada por políticas que garantam mais habitação, fiscalização rigorosa contra a exploração laboral, integração na lei do trabalho e na contratação coletiva.

Varoufakis foi proibido de visitar a Alemanha. Também a filósofa Nancy Fraser teve o seu convite para dar aulas na Universidade de Colónia cancelado. Onde estão então, neste contexto de censura e repressão, as vozes pela liberdade de expressão e contra o cancelamento?

Neste ambiente de anestesia e de distorção, a acusação política e o alerta das “avós do clima” é um grito de lucidez.

Elas, as criadas, servem. E servem-se delas: os patrões, mas também o marido, e depois os filhos. Nos 50 anos da nossa Revolução, eis um romance notável sobre esse lado tantas vezes invisibilizado na memória oficial da sociedade portuguesa. Comovente e imperdível.

Da refrega sai um presidente do Parlamento enfraquecido e a prazo, novos patamares de farsa na extrema-direita e mais probabilidade de eleições repetidas em breve. E no entanto, não faltam temas e decisões importantes para o Parlamento tomar.

É mais uma “paralisação pacífica” dos estafetas, em reação à compressão dos valores pagos pelas aplicações digitais. É uma greve? Na substância, sim, é uma greve. Uma greve de quem não pode, formalmente, fazê-la.