A humanidade vê-se de forma recorrente a braços com situações de guerra, em várias geografias, por vezes simultâneas, alguns dos intervenientes possuem armas nucleares, o que potencia ainda mais a perigosidade.
A insaciável cupidez gananciosa do capitalismo neoliberal e do complexo militar-industrial a ele ligado, associada às loucuras imperialistas dos dirigentes das chamadas grandes potências, fazem tudo para alargar o mercado das indústrias de defesa, não hesitando abrir frentes de combate, em empurrar o mundo para a guerra, sem olhar às consequências. Todos sabemos como estas começam, mas nunca como acabam.
O ataque promovido por americanos e israelitas contra o Irão, para além da velha questão do petróleo, tem como pretexto, segundo Trump, a defesa dos direitos humanos, nomeadamente das mulheres iranianas, e da parte de Netanyahu a destruição da concorrência que o Irão representa no espaço geopolítico do Medio Oriente.
Reconhecemos, à partida, o quão odioso é o regime teocrático dos “ayatollas”, na sua agressão permanente contra o seu povo, bem como o apoio que dá a organizações que usam o terrorismo como método de acção, mas a hipocrisia tem limites, o facto de existem situações idênticas noutros países muçulmanos aliados de Trump, o que faz com que este pretexto não passe de uma completa e descarada mentira. Nunca se pode impor a democracia de fora para dentro, porque não é democracia nem é nada. É sair do jugo de um tirano para outro.
As verdadeiras razões para este ataque estão bem à vista de todos, são o iniciar da vingança da humilhação sofrida pelos americanos aquando da invasão da embaixada em Teerão, bem como conseguir o estrangulamento do fornecimento de petróleo à China, através do controlo do estreito de Ormuz.
Pode ser interessante para esta análise, observar que Donald Trump e Benjamim Netanyahu estão acossados judicialmente, nos respectivos países, têm eleições em data próxima e temem que estas não lhes sejam favoráveis.
Convém recordar que Trump ganhou as eleições afirmando não pretender que os Estados Unidos se envolvessem em conflitos externos, mas são já várias as intervenções externas em apenas um ano de mandato. Ora as mentiras, as não-verdades, juntamente com os conceitos de seriedade, verdade, honra e de defesa de valores, nunca constituíram limites para este multimilionário cabotino e ignorante.
Trump ainda procura fazer esquecer os problemas que o envolvem com os chamados ficheiros Jeffrey Epstein, para além de acumular outros casos jurídicos.
No caso de Benjamin Netanyahu, este corre até o risco de, no caso de deixar o poder, ir parar à prisão por crimes em que está condenado.
Decididamente, estas personalidades, não são merecedoras da mínima confiança por parte dos seus eleitores e muito menos de credibilidade a nível internacional.
É absolutamente lamentável o papel representado pelas democracias europeias que, em vez de denunciarem o ilegal ataque sofrido pelo Irão, um país antigo e independente, vão ao ponto de exigirem ao Irão que não se possa defender e até afirmam que as suas forças estão prontas a atacarem igualmente os iranianos, em nome da defesa dos respectivos interesses, secundando uma acção que contraria claramente o direito internacional.
No caso do nosso país, o governo de Luís Montenegro, mete os pés pelas mãos, completamente subjugado às narrativas de americanos e israelitas, não se coíbe de usar inverdades ao afirmar que a utilização da Base das Lages pelas forças armadas americanas não necessita de autorização prévia, porque está sob o acordo luso-americano, ora o acordo assinado apenas prevê a sua utilização no âmbito da NATO ou da ONU, e esse não é, de forma nenhuma, a questão em apreço.
Contrariamente, o governo Espanhol mostrou uma maior firmeza ao não pactuar com a repetição do erro cometido aquando do ataque ao Iraque, promovido da mesma forma com pretextos falsos.
A única solução decente para estes e outros conflitos armados, cada vez mais perigosos e com tendência para alastrar, é voltar a dar prioridade à diplomacia, aceitar a mediação das estruturas internacionais que desde meados do século passado têm procurado assegurar alguma estabilidade mundial
Ao aforismo latino, tão do agrado de militaristas beligerantes, de fabricantes de armamento e de traficantes de armas, “SI VIS PACEM, PARA BELUM”, (se queres paz, prepara a guerra) é de preferir o título de uma canção de John Lennon, “GIVE PEACE A CHANCE”, portadora de uma mensagem bem mais carregada de esperança e respeitante da ordem mundial, de decência humana, para não voltarmos à lei do mais forte, dos tempos medievais.