Um psicopata e um genocida matam milhares de inocentes. A Europa ajoelha...A gente paga

porCarlos Vieira

11 de maio 2026 - 12:21
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A guerra, que os EUA iniciaram ao bombardear o Irão está a provocar uma recessão mundial, uma crise económica de consequências dramáticas para as populações. O governo português preocupa-se mais com as alterações ao Código do Trabalho de modo a desequilibrar as leis laborais a favor da parte mais forte.

No final de Abril foi divulgado o Relatório Copérnico que alertou para o aquecimento da Europa a um ritmo que é o dobro da média do planeta, o que levará a curto prazo a uma instabilidade climática estrutural, isto é, a eventos climáticos extremos (secas, incêndios florestais, ondas de calor, inundações e tempestades como as que conhecemos em Portugal recentemente, umas a seguir às outras), que estão a aumentar perigosamente em frequência, extensão e intensidade (2025 foi o ano mais quente registado na Europa e o 3º mais quente em todo o mundo). A Península Ibérica será a região mais afectada . As alterações climáticas aproximam-nos perigosamente do ponto de não retorno do colapso dos ecossistemas e da extinção a médio prazo da nossa espécie. O degelo do Ártico está a alterar a corrente quente do Golfo a que devemos o nosso clima temperado e levará ao arrefecimento brutal do Noroeste da Europa.

A União Europeia de Von der Leyen e António Costa preocupa-se menos com as alterações climáticas, que põem em risco o futuro da Humanidade, do que com o rearmamento da Europa que apresentam aos povos como uma inevitabilidade, um imperativo categórico ditado pela estupidez de assassinos em série que invadem e saqueiam o resto do mundo na ganância pelo controlo de matérias-primas e de energia, psicopatas fautores de guerras e genocídios, com a cumplicidade igualmente criminosa de sabujos governantes europeus. O FMI alertou em Abril que o aumento de gastos com a defesa na Europa, com a meta aceite de 3,5% até aos 5% do PIB, pode equivaler a cortes de 25% nos apoios e prestações sociais (26% na Saúde e 14% na Educação).

A guerra, que os EUA iniciaram ao bombardear o Irão a meio de uma negociação que até diziam estar a correr bem, está a provocar uma recessão mundial, uma crise económica de consequências dramáticas para as populações, com o bloqueio do Estreito de Ormuz a fazer subir o preço da energia, dos transportes, dos alimentos e dos medicamentos, o custo de vida a trepar, a inflação nos 3,4%, devendo chegar aos 4,4%, e as prestações das casas a dispararem. A Comissão Europeia já admitiu o "choque de estagflação" (mistura explosiva de inflação elevada com estagnação económica e alto desemprego).

O governo português preocupa-se mais com as alterações ao Código do Trabalho (que não apresentou na campanha eleitoral, enganando os eleitores), de modo a desequilibrar as leis laborais a favor da parte mais forte, o grande patronato, e continua a fazer "bullying" sobre a UGT que, no entanto, já admitiu poder juntar-se, mais uma vez, à Greve Geral convocada pela CGTP para 3 de Junho.

Portugal está entre os países da UE com mais jovens em trabalho precário (4 em cada 10), onde se trabalha mais horas por semana (39,7 horas), só ultrapassado pela Bulgária, Roménia, Polónia e Grécia, com salários entre os mais baixos praticados na Europa. Recordo que na Alemanha, o Sindicato dos Metalúrgicos IG Metall, o maior sindicato da Europa, com 4 milhões de sócios, conquistou já há cerca de 40 anos, a semana de trabalho de 35 horas, sem perda de salário, sob o lema "Meu tempo, minha vida", de forma a conciliar a vida profissional com a vida familiar, e recentemente acordou com a Daimler, o maior fabricante de veículos comerciais do mundo, a redução do horário para as 28 horas semanais. Como se viu nas grandes manifestações do 25 de Abril e do 1.° de Maio, em todo o país, o repúdio deste pacote anti-laboral por parte dos trabalhadores portugueses é generalizado.

Seguro prometeu que vetaria o "Pacote Laboral" se não tivesse o acordo da UGT, mas já veio dar o dito por não dito, dizendo que o poderá promulgar mesmo sem o acordo daquela central sindical. Em qualquer dos casos, o Presidente despreza a opinião da maior central sindical do país, a CGTP, dando assim razão àqueles que, como eu, apelaram ao voto contra o candidato neofascista, mas alertando que Seguro seria um presidente "inseguro". Ademais, o Presidente já chumbou no "teste do algodão" ao promulgar a injusta e cruel Lei da Nacionalidade da direita ao serviço da extrema-direita racista e xenófoba, que viola o direito europeu, conforme parecer negativo do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, aprovado por unanimidade pelos 11 juízes, incluindo o membro proposto pelo Chega.

A Polónia, Letónia, Estónia, Finlândia e a Alemanha já anunciaram cortes nas despesas sociais, para financiar o rearmamento. A Alemanha terá um corte de 30 mil milhões de euros só na Saúde, mais 10 mil milhões noutras áreas sociais, até 2030, para atingir os 5% para o rearmamento.

A retirada de 5 mil soldados dos EUA das suas bases na Alemanha, decidida por Trump, só mostra que ele venceu no seu intento de pôr os europeus a pagar as guerras da NATO. Merz irritou Trump, mas não nos faz esquecer que em 2025, quando Israel bombardeou pela primeira vez o Irão no meio de uma negociação, o chanceler alemão elogiou Israel por "fazer o trabalho sujo por todos nós".

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, justificou a retirada das tropas dos EUA da Alemanha, com a decepção de Trump por os europeus não terem ajudado na guerra de agressão ao Irão e pela acusação de Pedro Sanchez de que os EUA violaram a Lei Internacional. Entretanto, Rutte elogia Portugal pela subserviência do nosso governo aos apetites sanguinários de Trump.

Como disse o general Pezarat Correia: "Quanto mais nos preparamos para a guerra, mais a guerra nos parece inevitável!"- E conclui este militar de Abril, sabiamente: "Se queres a Paz, prepara a Paz!"

NÃO À GUERRA E AO "PACOTE ANTI-LABORAL"!

Artigo publicado originalmente no jornal regional Via Rápida de 7.05.2026

Carlos Vieira
Sobre o/a autor(a)

Carlos Vieira

Ativista associativo na defesa dos Direitos Humanos. Militante do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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