Ao longo do tempo tenho por bom o princípio que em qualquer conflito armado, que aconteça seja onde for e em qualquer regime dos países que sofram invasões territoriais, as grandes vítimas são sempre os seus habitantes e essa é a razão pela qual dou todo o apoio solidário, sem olhar a circunstâncias de caracter étnico, político, religioso ou quaisquer outras.
Em qualquer conflito armado as principais vítimas são os habitantes civis, que na maior parte das vezes pouco têm a ver com as situações de guerra em que as circunstâncias os mergulharam.
Relativamente ao conflito que se desenrola na Ucrânia, derivado da invasão deste país pela Federação Russa, algumas entidades têm defendido que seja convocada uma conferência de paz, sob os auspícios da ONU, que busque minimizar, dentro do possível, o desastre social que ali decorre e que pode transformar-se numa catástrofe de dimensões incalculáveis, dada a existência de armas nucleares na posse dos beligerantes.
Neste caso, o invasor é a Federação Russa e o agredido é o povo de um país independente, a Ucrânia, sem procurar desculpas nos antecedentes políticos deste conflito.
Os interesses dos gigantescos lóbis da indústria de armamento vislumbraram neste conflito mais uma forma de escoarem os seus produtos mortíferos e tudo têm feito para acicatar os ânimos no sentido de prolongar a guerra, sem o mínimo interesse pelos mortos, pelos feridos e pelos desalojados, nem pelos danos materiais causados olhando apenas para os lucros que daí possam resultar.
Os países que possuem fortes indústrias armamentistas são os que mais têm contribuído para, alegadamente ajudar o governo Ucraniano, começando pelos Estados Unidos, Alemanha, França e Canadá, bem como os restantes países da Nato.
Do mesmo modo se verifica que os aliados da Federação Russa, como Bielorrússia, China e Coreia do Norte têm feito o mesmo, todos aproveitam para testar forças à custa dos violentos prejuízos causados ao povo Ucraniano.
Algumas entidades que deveriam procurar por todos os meios chegar à paz, como a Igreja Católica, têm manifestado a sua preocupação por não ser mais rápida a entrega de armamento à Ucrânia. No Canadá, numa homenagem à Ucrânia, foi convidado um soldado ucraniano, combatente da II Guerra Mundial, que tinha sido membro de um regimento que esteve ao serviço de Hitler.
Mas este é apenas um dos conflitos armados que estão a acontecer no momento. Talvez o que mais chame a atenção da opinião pública, porque ai se verifica um combate entre a Nato e a Federação Russa, recorrendo, de parte a parte, a mercenários.
São muitos os conflitos no mundo; no Médio Oriente, entre Israel e a Palestina, entre Marrocos e a Republica Saraui, no Iémen e até na região Centro Africana, onde graves situações de terrorismo, de desemprego, de seca, de doença e fome provocam a fuga em massa de centenas de milhares de refugiados que procuram abrigo no continente Europeu.
Os prementes problemas que muitos dos países Africanos atravessam, são situações herdadas do passado colonialista europeu, agravado pela rapina de matérias-primas que, desde sempre tem sido levada a efeito pelas políticas neocoloniais que continuam a despojar os territórios privando as suas populações dos meios de subsistência e de desenvolvimento.
Os países da Europa que enriqueceram e se desenvolveram, em parte à custa do empobrecimento e até da liberdade de tantos milhões de africanos, têm a obrigação de operacionalizar meios que permitam a esses países e povos subsistir no seu território com um mínimo de dignidade.
Apesar desta constatação, as chamadas democracias liberais europeias pouco têm feito para melhorar as condições de vida dos povos africanos, nos respectivos territórios de origem, impedindo a chegada às praias da Itália e da Grécia de tantos migrantes. Muitos destes morrem no Mediterrâneo mercê das terríveis condições em que procuram atravessar o mar.
A esta imensa caravana de desgraça vieram agora juntar-se mais muitos milhares de Arménios em fuga do enclave de Nagorno-Karabakh, no Azerbaijão, com medo de uma limpeza étnica após os ataques do exército que provocaram mais de 400 mortos. Aqui, para além das questões étnicas há também a acrescentar o facto de haver importantes jazidas de gaz natural na zona, passível de ser explorado, por aqueles que hipocritamente agora se mantêm um silêncio cúmplice perante mais este conflito.
O reacender do conflito entre Israel e a Palestina veio agudizar a situação de 75 anos, num território de que Israel pretende apoderar-se, mas a cuja população é negado o direito de lutar pela independência e pela autodeterminação. A confusão permanente estabelecida pelas autoridades e alguma comunicação social entre o Hamas e os Palestinianos não é inocente e serve os interesses da clique de extrema-direita que governa Israel. É tempo de fazer cumprir as normas políticas e humanitárias internacionais, sem falsos remorsos tardios e sem complexos.