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Tu importas-te?

A Troika, ao mesmo tempo que diz que o excesso de austeridade é mau para a economia, exige da coligação de direita/extrema direita nacional o contínuo aumento da mesma em Portugal.

Agora, tal como no poema Bertolt Brecht “Primeiro …” ou seja, primeiro atacaram os salários do setor publico e muitos ficaram no sofá porque tal como no poema não eram funcionários públicos.

Agora querem atacar os salários do sector privado.

Se a estupidez de reduzir salários e pensões não foi suficiente, a sua repetição passa a ser uma alucinação governamental, alucinação que contribui para a destruição de um país.

Este governo da coligação de direita/extrema direita, tira leis como quem tira coelhos da cartola, repete-as e com elas repete os mesmos crimes.

Vejamos apenas alguns dos que passaram no crivo do Tribunal Constitucional.

Fim dos Feriados - aumento dos dias de trabalho para níveis inigualáveis na Europa ocidental, na maioria dos países da Europa ocidental os trabalhadores trabalham 218 dias ano, em Portugal com esta lei trabalha-se 234, isto é mais uma alucinação governamental, pois esta gente não entende que não é por amarrar um trabalhador a uma máquina que a produtividade aumenta (em vez de criarem cadeira de empreendedorismo deviam melhorar as de produtividade).

Extensão dos contratos a prazo – Esta é uma das maiores vigarices governamentais, senão vejamos:

Como podem estes senhores dizer que isto combate o desemprego? Não há uma lei em Portugal que proíbe a substituição de trabalhadores contratados? Então como podem dizer que sem tal lei aumentava o desemprego? Então o patrão fica com o trabalhador mais um ano só porque existe a lei ou porque necessita do seu trabalho?

Efetivamente, se em alguns casos isso pode ser aplicado como forma de intervalo entre uma redução de produção e o seu aumento através de novas encomendas, na maioria dos casos os patrões querem é poder continuar a privar os trabalhadores e trabalhadoras de constituírem família, de serem pais, (pois temem exercer os seus direitos), querem ter “paus para toda a obra”, querem ter a espada sobre a cabeça dos trabalhadores e a ameaça de despedimento na ponta da língua.

As consequências destas políticas de precariedade são a redução da natalidade, a redução de compra de habitação e outros bens de consumo que criam emprego, o suicídio e a emigração.

Os Trabalhadores e a sociedade em geral não podem nem devem fazer como o diz o poema Brecht, “eu não sou…”, somos todas vítimas destas políticas que só este ano contribuíram para enriquecer alguns dos 80 novos multimilionários em Portugal. Brecht, termina o seu poema “Como eu não me importei com ninguém, Ninguém se importa comigo”.

Todos temos o dever de denunciar estas políticas, de esclarecer no café, no prédio, no bairro, na família, no trabalho, na coletividade e no autocarro as mentiras desta gente que nos governa, desta gente que é treinada por experts do Marketing político para fazem intervenções televisionadas em que anunciam como e quando nos vão assaltar com a cara e o sorriso de quem nos está a dar algo.

Todos temos que fazer tudo para derrubar este governo e estas políticas

Todos temos que nos importar com todos.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Coordenador da CT da Volkswagen AutoEuropa. Deputado municipal no concelho da Moita.
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