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Testemunho de solidariedade com o Dr. Paulo Portas

Porque a coisa do relógio não está a correr bem e faltam 11.794 milhões de segundos para 1640, é tempo de nos apressarmos.

Caro Vice-primeiro ministro,

Venho testemunhar-lhe a minha indignação pelo facto obtuso de alguns jornalistas terem ido ao lobby da sede da Rua da Madalena verificar as contas do seu relógio. É intromissão, pelo menos na vida privada senão mesmo na razão de Estado. Dizem agora que o relógio anuncia a saída da troika para 17 de junho e não para 17 de maio e que vossa excelência se enganou num mês inteiro. Pior ainda, que os jotas que aplaudiram a inauguração do relógio, enlevados pela música dos AC-DC, não sabem tabuada e não conseguiriam dar pela marosca.

Estão enganados, pobres de espírito. O relógio não está a contar para maio de 2014. Coitados, não acompanham a sua subtileza, nem perceberam a sua mensagem. Mas eu ouvia-a e espantei-me: temos patriota! 1640 é o nosso destino! Abram a janela, abaixo o Miguel de Vasconcelos e a sua laia! Morra o protetorado, fora com a troika!

Por isso, mais mês menos mês, que importa. Até aceito que vossa excelência, de um vice-primeiro-ministro só se pode esperar essa elevação, vá contando a coisa aos bocados, para que o povo não se engasgue. É para 1640, para a glória, que nós vamos. Independência ou morte! Viva o rei! Só faltam 3.276 milhões de dias, ela por ela, ou 11.794 milhões de segundos, se continuarmos a andar para trás. É aguentar, o relógio lá chegará.

De vossa excelência, atenciosamente,

Francisco Louçã

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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