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Sobre as comemorações do 25 de Abril

O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade e a democracia. Não é por estarmos em Estado de Emergência que devemos ignorar esta data.

Escrevo esta reflexão a 4 dias das comemorações dos 46 anos do 25 de Abril de 1974, data que marcou o fim do regime fascista que vigorou em Portugal durante 48 anos. Contudo, este ano, dadas as circunstâncias de pandemia, os ataques à Revolução que nos trouxe liberdade e democracia são bastante mais cerrados. Já não se trata de “honrar o 25 de novembro como se honra o 25 de Abril” – agora, quem sempre se sentiu incomodado com a Revolução dos Cravos e com o que ela trouxe, está empenhado em fazer tudo o que seja possível para que Portugal não relembre um marco extremamente importante da sua história.

A direita e a extrema-direita, que nunca aceitaram a Revolução dos Cravos, estão na frente desta campanha reacionária. Afirmam que as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República – que é o órgão legislativo da república portuguesa, o garante da democracia – não fazem sentido. São um “péssimo exemplo”, bem como “não respeitam os sacrifícios que estão a fazer”, dizem alguns. Esquecem-se, no entanto, que mesmo confrontada com uma pandemia, a democracia tem que persistir. A Assembleia da República continua a funcionar, em condições mais restritas. As comemorações do 25 de Abril constam da agenda do seu funcionamento. Porquê cancelá-las? Porquê este aproveitamento político da situação em que todas e todos nós nos encontramos? Fosse antes a comemoração do 25 de novembro ou o 28 de setembro, nada fariam.

Esta campanha também se baseia em desinformação. Uma petição recentemente lançada, que defende o cancelamento comemorações na Assembleia da República, afirma que estas são uma “vergonha”, dado que é uma “altura em que se pede que não exista concentração de pessoas. Não se admite que a Assembleia, queira comemorar o 25 de abril, juntando centenas de pessoas no seu interior”. Esquecem-se os autores desta petição, propositadamente ou não, que as comemorações da Revolução dos Cravos seguirão indicações sanitárias da Direção Geral de Saúde, tendo a própria Ministra da Saúde garantido que as normas serão cumpridas.

Após 46 anos, com a presença da extrema-direita na Assembleia da República, e frustrada a tentativa de iniciar uma onda securitária face à pandemia, esta frente de direita volta a tentar colocar na agenda mediática ataques à democracia, utilizando o fenómeno da desinformação.

É nestas alturas que temos que estar atentos. Os ataques à democracia estão cada vez mais presentes (veja-se o caso da Hungria, por exemplo). A tentativa do cancelamento das comemorações do 25 de Abril não é exceção. Não podemos deixar passar estes ataques. O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade e a democracia. Não é por estarmos em Estado de Emergência que devemos ignorar esta data. 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

Sobre o/a autor(a)

Estudante de Sociologia na Universidade do Minho
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