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Sócrates… e a sua “dor de alma”!

“Dores de alma?”, “Apertos no coração?”, fazem parte do jogo, da propaganda populista de quem pretende fazer crer que está com o povo estando sempre e sempre contra ele.

Foi com “dor de alma” que Sócrates diz ter escolhido as opções que caracterizam o Orçamento do Estado para 2011.

Chegado à AR tarde e a más horas, nos dados da “pen” não fazia parte o relatório respectivo, peça essencial para sustentar a proposta do OE.

Mas o país confirmou o que afinal já era esperado. Temos um OE conjugado no verbo cortar aliás em linha com as respostas à crise social que vêm sendo adoptadas não só em Portugal mas por toda a Europa.

Temos um OE que incorpora o velho sonho capitalista de desmembrar o Estado Social e retirar direitos aos trabalhadores/as.

Paradoxalmente, ou talvez não, é exactamente um governo do PS que cumpre tão refinados objectivos da burguesia liberal que jurou vingança ás conquistas populares do último século na Europa.

Sócrates sabe que renega o seu programa eleitoral e de governo, à luz do qual ganhou as eleições; sabe o quanto é difícil calar as vozes internas que a cada momento se pronunciam em “declarações de voto”, indiciando as contradições internas que se agudizam; sabe que faz o papel do bom populista quando ataca o Estado Social dizendo que é em nome da sua defesa; não tem qualquer pejo quando no espaço de quinze dias mentiu sobre o crescimento do PIB (de 05% para 02%).

Sócrates sabe que o aumento dos impostos, em que as famílias pagarão quinze a vinte vezes mais impostos que a banca, o corte de mil milhões de euros nos salários de mais de 250 mil trabalhadores da função pública, o congelamento das pensões a mais de um milhão e 800 mil reformados, os cortes nas prestações sociais a mais de 500 mil pessoas, o aumento dos medicamentos, geram mais recessão. Que a recessão provoca desemprego, precariedade e miséria, que criará menos receita fiscal e diminuirá o investimentos público.

Sócrates sabe exactamente que as contas certas deveriam ser outras. As alternativas apresentadas pelo Bloco de Esquerda (quinze medidas para sair da recessão) respondiam à actual situação.

O problema é que Sócrates se colocou do lado dos que provocaram a crise e vampirizaram o Estado Social para se salvar e têm o claro objectivo da acumulação e maximização da taxa de exploração.

“Dores de alma?”, “ Apertos no coração?”, fazem parte do jogo, da propaganda populista de quem pretende fazer crer que está com o povo estando sempre e sempre contra ele.

Ao povo compete inverter a causa das suas dores, e os motivos dos seus apertos: Greve Geral a 24 de Novembro!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.
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