Se Tchizé, filha de José Eduardo dos Santos e recém eleita para o comité central do partido do seu pai, demonstra, com o patrocínio de uma das suas empresas, o Tea Club, o carinho filial, isso não é devoção e prova da unidade da família?
Se um banco do Estado, Mira Sambila, mais o Grupo Zuga, a GBM, Marflor e algumas empresas mais se associam à filha para pedir a continuidade do chefe, não é isso prova da diversidade da democracia?
Se o partido coloca um cartaz com os resultados da sua eleição partidária, não sendo um partido único e havendo outros, não é isso uma forma humilde de enaltecer a virtude da convergência depois de trabalhosa e fraterna consulta de opiniões?
Se o cartaz, com base nos resultados de uma eleição interna a um partido, conclui que estes números apelam a que José Eduardo dos Santos “continue a conduzir os destinos do país” porque “o povo pede”, não é isso sinceridade?
O único problema, a única dificuldade, a única arrelia é mesmo saber quem foram os cinco malandros que estragaram a unanimidade e retiraram aqueles vergonhosos 0,4% aos retumbantes 100% que o Presidente merecia.
Artigo publicado em blogues.publico.pt a 9 de setembro de 2016