Professores: Na rua em defesa da escola pública

porÁlvaro Arranja

22 de janeiro 2013 - 0:25
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Contra os cortes na educação, a degradação da qualidade de ensino, os professores irão manifestar a sua frontal oposição à política prosseguida pelo governo numa grande manifestação nacional, em Lisboa, no próximo dia 26 de janeiro.

Dividir para reinar, eis a máxima do governo. Atirar trabalhadores do sector privado contra trabalhadores do sector público… diabolizar o funcionário público, é o filme em exibição permanente. Só falta mandar fazer umas estrelas amarelas e torná-las de uso obrigatório pelos funcionários públicos…

Criar um bode expiatório é sempre a maneira mais eficaz de esconder a verdade… a utilização dos milhões pagos em impostos pelos portugueses no financiamento a fundo perdido dos negócios privados da oligarquia… BANIF… BPN…BPP…PPP's (desde a famosa Lusoponte tem sido um fartar vilanagem, com o anunciado corte nas rendas a ser esquecido)… milhões para os colégios privados do grupo GPS… etc… etc…

Para garantir esta extorsão organizada são… obviamente… necessários cortes “enormes” nas funções sociais do estado. Para lhes abrir caminho, nada melhor que encomendar um relatório apocalíptico e terrorista, garantindo o despedimento de 50.000 professores, para semear o medo (arma sempre eficaz num país com 4 décadas de Salazar e muitas mais de Inquisição).

Contra tudo isto é necessário vir para a rua fazer ouvir a voz da democracia…

É necessário denunciar os danos irreparáveis que a política que vem a ser prosseguida, necessariamente terá nas crianças e jovens. É necessário denunciar os instrumentos dessa política: o Orçamento de Estado, que prevê uma quebra de 700 milhões de euros para a educação; as medidas do plano B, que incluirão o aumento de horários de trabalho e nova redução dos salários da função pública; o corte de 4 milhões de euros nas funções sociais do Estado (dos quais 1 milhão no ensino).

Os professores estarão na rua para lutar por uma outra política: a defesa da escola pública, de matriz democrática, como está inscrito na Constituição; a defesa da profissão de professor e das condições adequadas ao seu exercício; a defesa da qualidade de ensino.

Álvaro Arranja
Sobre o/a autor(a)

Álvaro Arranja

Professor e historiador.
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