A principal bandeira do CDS é o disparate

porFabian Figueiredo

14 de março 2026 - 17:19
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Enquanto a bandeira nacional flutua sobre escolas sem professores, hospitais sem médicos e tribunais paralisados, o CDS parece ter encontrado a verdadeira emergência do país: a presença de bandeiras LGBT em edifícios públicos.

Enquanto a bandeira nacional flutua sobre escolas sem professores, hospitais sem médicos e tribunais paralisados, o CDS parece ter encontrado a verdadeira emergência do país: a presença de bandeiras LGBT em edifícios públicos. Concomitantemente, agendou um projeto na Assembleia da República para resolver essa urgência.

Paulo Núncio e João Almeida, por acaso, sabem por que razão as bandeiras arco-íris, que querem proibir nas fachadas de edifícios públicos, lá foram parar?

As pessoas LGBT precisaram de criar símbolos da sua luta pelo direito à vida. Em Portugal, só no ano 1982 é que a homossexualidade saiu do Código Penal. Foi preciso esperar pelo ano 2000 para haver uma manifestação de visibilidade LGBT em Lisboa, parte dos manifestantes saiu à rua de cara tapada e com medo de represálias. O orgulho é e sempre foi coragem. Coragem porque, infelizmente, há razões para o medo.

Em fevereiro de 2018, um antigo vice-presidente do CDS, deu uma entrevista sobre a sua vida. O Expresso escolheu para destaque “Escreveram ‘gay’ num cartaz meu. Pedi que não o substituíssem, não era mentira”. Perguntaram-lhe sobre coragem e deu uma resposta que é uma lição.

Disse Adolfo Mesquita Nunes: “para hoje uma pessoa poder estar confortável com a sua orientação sexual houve muita gente que precisou de uma coragem infinitamente superior àquela que me pergunta se tenho”. E conclui “para eu não precisar de nenhuma coragem para estar aqui a ter esta conversa, houve muita gente que chocou, provocou, correu riscos, desafiou, teve uma coragem infinitamente superior”.

A sanha persecutória do CDS é tanta, que à boleia do projeto para atingir as bandeiras LGBT seria também proibido colocar na fachada de uma autarquia a bandeira de um clube local em momento festivo e a Assembleia da República teria sido proibida de usar as cores da Ucrânia em oposição à invasão russa. A proposta é ridícula. Mas o assunto é sério. Censurar as bandeiras do orgulho é atacar pessoas. A visibilidade é e foi sempre condição de vida.

PS: O projeto de lei do CDS estava tão mal feito que o baixaram à Comissão sem votação.

Fabian Figueiredo
Sobre o/a autor(a)

Fabian Figueiredo

Deputado do Bloco de Esquerda. Sociólogo.
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