Está aqui

Piores do que S. Tomé!

Quando a realidade, recorrentemente, contraria as afirmações do governo PSD/CDS, é preciso ter topete para afirmar que aqueles que a constatam “são piores do que S.Tomé.”

Depois de termos sido confrontados com um Orçamento do Estado que apresenta cortes brutais em setores sociais como a Educação, que terá uma diminuição de 704,4 milhões de euros, eis que a delegação da troika de visita a Portugal nos vem dizer que ainda não chega, que é preciso cortar mais, que “o empenho nas reformas estruturais abrandou, registando-se um ritmo irregular de implementação nos vários setores.”

Por seu turno, as previsões do Governo relativas ao crescimento da economia e ao défice orçamental mereceram um forte puxão de orelhas. Nota positiva, apenas, para o crescimento da receita feito à custa da brutal carga de impostos que recaiu sobre as pessoas.

Entretanto, as posições da troika suscitaram alguma desafinação no coro governamental. Enquanto o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, criticava "os mesmos do costume", que duvidam que Portugal atingirá as metas da receita fiscal em 2015, afirmando serem "piores do que S. Tomé, porque mesmo vendo não creem" (será que a troika também era alvo deste mimo?!), Passos Coelho apressava-se a sossegar Bruxelas e o FMI, garantindo que o” Governo está disposto a ajustar a sua estratégia orçamental se isso for necessário”.

A verdade é que o governo está, mais uma vez, orgulhosamente só no alegado otimismo com que encara a evolução da economia e das finanças públicas. Quando a realidade, recorrentemente, contraria as afirmações do governo PSD/CDS, é preciso ter topete para afirmar que aqueles que a constatam “ são piores do que S.Tomé.”

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
(...)