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As pessoas acima dos interesses de grupo

A Madeira precisa de gente entregue a causas públicas e não aos negócios de grupos privados, sejam eles portugueses ou estrangeiros.

As eleições de 29 de Março estão a gerar muita controversa e muitos já querem reduzi-las ao velho e gasto lema do “vira o disco e toca o mesmo”.

Quando uma coligação que se diz querer ser governo, vem propor um debate a sós com o adversário de sempre, tentando ignorar que, o que os/as madeirenses vão eleger são Deputados/as, e que depois o partido mais votado é que pode formar governo, desde que tenha uma maioria que o suporte no parlamento, é ludibriar as pessoas, o que tem sido sempre feito desde há 40 anos nesta terra.

Para descontentamento deste tipo de mentalidade cinzenta, e antidemocrática, existem muitas alternativas. Por incrível que pareça, algumas com propostas ainda mais arrojadas e mais sérias do que os que se autointitulam de alternativa de poder.

A Madeira precisa de ter um Governo que ponha de parte o passado dos buracos das dívidas e das obras faraónicas, mas precisa de uma oposição forte, sem medos, que faça propostas concretas e que leve ao debate o que verdadeiramente interessa às pessoas, colocando-as acima dos interesses de grupos, sejam eles económicos ou de interesses meramente pessoais e familiares. Pessoas que estejam dentro do Parlamento mas que, ao mesmo tempo, estejam nos sítios e nas ruas ao lado dos anseios das populações.

A política precisa desta oposição que não verga em qualquer situação e que tendo, injustamente, ficado fora do Parlamento, nunca deixou de estar ao lado do povo que trabalha e luta. A política precisa de ser moralizada. A Madeira precisa de gente entregue a causas públicas e não aos negócios de grupos privados, sejam eles portugueses ou estrangeiros.

A Madeira precisa de TODAS as empresas que gerem postos de trabalho. Elas sim são o motor da economia regional. Essas é que deviam ter incentivos quando estão em dificuldades. Essas sim precisam, se calhar, de pagar impostos mais baixos para que mantenham os postos de trabalho, pagando a tempo e horas os direitos dos trabalhadores. Todas as que não têm este objetivo, e só usam a Madeira para fugir aos impostos e para lavar dinheiro sujo e criminoso, há muito que já deviam ter partido desta Região.

Quem assim não pensa e bajula este tipo de falsos empresários, está a sujar as mãos de sangue em nome de uma falsa alternativa que não dá futuro a ninguém.

A verdade das coisas tem que ser dita e não nos venham acenar com os também falsos radicalismos, porque aí está a Grécia da esperança dos povos europeus para provar que é dizendo a verdade, cara a cara, ao povo, que se consegue ter o seu apoio.

As pessoas estão fartas de paninhos quentes e de cinzentismos da política portuguesa, que vai alternando sempre entre os mesmos e que não muda absolutamente nada, e onde as únicas medidas pioram a vida das pessoas, roubando-lhes as pensões e baixando os ordenados.

É pena que na Madeira não tenha existido uma verdadeira alternativa a este estado de coisas, só porque os interesses de grupos, económicos e familiares falaram mais alto. Há pessoas que preferem as palhaçadas de gente que só fala mas nem um decreto legislativo sabe fazer. Há gente que pensa que o povo é burro e vai atrás da mesma propaganda plagiada das eleições autárquicas, pensando que basta plagiar para se colar à vitória e que esse é meio caminho andado. Felizmente cada pessoa é uma pessoa, e há pessoas que realmente precisavam de se ver ao espelho.

O adversário de sempre deve estar satisfeito, mas cuidado, pois a oposição no seu conjunto pode lhe tirar a “cagança” e a maioria absoluta estar muito longe de ser conquistada. Não julguem a inteligência das pessoas pelo vosso umbigo, pois ganhar ao PSD internamente não é ganhar a maioria externamente. Vocês são a continuidade da dívida, da retirada de direitos, da destruição da autonomia, e espero que a memória não se apague em relação a isto.

O Parlamento Regional precisa de ser arejado para ficar mais limpo e transparente, voltando aos tempos em que dava gosto debater e aprovar direitos concretos para as pessoas. Isso só é possível com bons Deputados/as, livres de lóbis e mais próximos dos interesses de quem os elegeu. Saibam os/as eleitores usar com inteligência o seu voto e o Parlamento pode realmente mudar para melhor, e assim, cumprir o seu verdadeiro papel de fiscalizador do Governo que vier a ser formado depois.

Sobre o/a autor(a)

Deputada na Assembleia Municipal do Funchal. Antiga dirigente sindical e deputada regional
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