Paz – Condição de Vida

porJosé Joaquim Ferreira dos Santos

04 de julho 2025 - 16:26
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A vida humana é o bem mais precioso de todos e a paz uma condição indispensável para a sua manutenção e fruição. Lutemos por elas!

A Paz, em muitos dos espaços geográficos do mundo, apresenta-se cada vez mais ameaçada e em perigo, ao mesmo tempo que as vozes tonitruantes dos grandes senhores deste pequeno mundo promovem uma corrida esquizofrénica aos armamentos, substituindo, obstinadamente a diplomacia pelos canhões, rasgando e deitando ao lixo acordos Internacionais, tantas vezes dificilmente conseguidos.

Mais uma vez, não nos deixemos enganar, porque quem lucra com este barulho ensurdecedor são os investidores do complexo militar-industrial, sejam capitalistas ou generais.

Resta-nos construir um poderoso movimento popular de apelo á racionalidade, ao bom senso e à Paz, a fim de moderar os instintos predatórios daqueles que colocam os seus interesses e a sua insaciável vontade de domínio, acima de tudo e de todos.

Desde sempre, quem se opõe à guerra, é, muitas vezes apelidado de cobarde. Mas o seu papel só é entendido quando surgem as listas de vítimas dessa loucura assassina dos que mandam soar os tambores de guerra, os quais nunca se encontram na primeira fila de combate. Assim, como explicar o número crescente de veteranos de guerra Americanos que se manifestam contra os apelos às armas, directos ou enviesados, feitos pelos falcões militaristas?

Em democracia deveriam ser esgotadas todas as formas de negociação e de diplomacia antes de colocar em perigo populações inocentes e completamente indefesas.

Neste momento, com a segunda subida ao poder de Donald Trump nos EUA e que durante a campanha eleitoral alardeava, que em poucos dias iria acabar com os conflitos na Ucrânia e na Palestina, referindo à exaustão as suas boas relações com Putin e Netanyahu, pelo contrário, assistimos a uma escalada completamente imprevisível dos conflitos no Oriente Médio, com a chamada, guerra preventiva, de Israel ao Irão, quando decorriam negociações internacionais sobre o enriquecimento de urânio Iraniano.

Na Ucrânia, a Europa substituiu a América no apoio a Zelensky, mas a guerra está longe do fim, mantendo intacta a pretensão imperialista da Federação Russa e de Putin, desrespeitando os direitos dos respectivos povos.

Na Palestina a resposta ao ataque do Hamas em território Israelita serviu para um exercício de extermínio sistemático levado a cabo pelo governo sionista que vitima dezenas de milhares de palestinianos em Gaza, muitos dos quais crianças, mulheres e velhos.

O reconhecimento do direito à autodefesa contra agressões externas, não pode ser pretexto para o desencadear de guerras de extermínio, usando meios de produção de morte industrial, como a destruição de hospitais, bem como as armas da fome e da sede, verificando-se um autêntico genocídio face à hipocrisia do Mundo.

O “apoio” sem escrúpulos à acção terrorista de Netanyahu, para além de depender da poderosa colónia judaica nos Estados Unidos, foi desvendada pelas afirmações loucas de Trump sobre a saída dos palestinianos da faixa de Gaza e a transformação daquela zona numa autêntica Riviera, com hotéis e empreendimentos imobiliários construídos pelas suas empresas.

Perante esta realidade, as democracias europeias, criminosamente, fecham os olhos aos atentados aos direitos humanos, um autêntico genocídio, uma espécie de má consciência face aos judeus, que durante séculos, mas também na II guerra mundial, foram as suas vítimas. Mas o passado não pode servir de desculpa, apesar de o chanceler alemão se afirmar grato pelo “trabalho sujo” realizado por Israel no caso do Irão. A intervenção dos EUA, bombardeando instalações nucleares iranianas, ao lado de Israel, não pressagia nada de bom para a Paz mundial e reedita a vergonhosa mentira que levou à invasão do Iraque. É o imperialismo mais hediondo. Talvez o facto de o Irão ser um grande produtor de petróleo, possa explicar muita coisa.

Ao não culpabilizar os atentados terroristas e acções militares ilegais, de quem quer que seja, mesmo de Israel, cria-se a perceção de que este país está acima de tudo e de todos e de que faça o que fizer, o resultado é a total impunidade. Daí os ataques ao Líbano e ao Irão, que agora são já entendidos como direito à sua defesa, sabe-se lá de quê!

Todo este enquadramento se destina a compelir os europeus a aceitar a corrida aos armamentos, com vista a armar-se para substituir a NATO, comprando, no entanto, as armas aos Estados Unidos.

O aforismo latino, “ SI VIS PACEM PARA BELLUM”, se queres paz prepara a guerra, não passa de uma falácia propalada pelos fabricantes de armamento para justificar a sua existência, mesmo em tempos de paz.

Às tiradas, pseudo patrióticas, proferidas por alguns sobre a possibilidade da nossa juventude poder combater e morrer onde for necessário, em defesa de seja o que for, são os jovens que devem responder, se é esse o futuro que almejam, e aos seus pais se concordam em vê-los partir para uma guerra sem sentido, orientada pela IA.

Conversemos sobre o assunto, sem tabus e encontremos os meios de nos opormos aos falcões militaristas e seus agentes, que olham para estas guerras como “game boys”, cujo único interesse é o lucro proveniente das vendas milionárias de armas e de artigos de defesa.

A vida humana é o bem mais precioso de todos e a paz uma condição indispensável para a sua manutenção e fruição. Lutemos por elas!

José Joaquim Ferreira dos Santos
Sobre o/a autor(a)

José Joaquim Ferreira dos Santos

Reformado. Ativista do Bloco de Esquerda em Matosinhos. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990
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