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Passos Coelho de cara lavada?

Alguém que lidera o Partido que conjuntamente com o PS aprovou todos os PECs e Orçamentos do Estado vem dizer-nos, e logo no dia do Trabalhador, que se apresenta de cara lavada?

Não se trata de memória curta, lapso ou desatenção. É um insulto à inteligência das pessoas e a falta de respeito por todos que está em causa. Alguém que lidera o Partido que conjuntamente com o PS aprovou todos os PECs e Orçamentos do Estado, contendo medidas anti-sociais que foram as mais violentas dos últimos anos, vem dizer-nos, e logo no dia do Trabalhador, que se apresenta de cara lavada?

É o líder dum partido em que uma tal senhora defendeu a interrupção da democracia!

De quem desistiu, tal como o PS do combate ao desemprego e à precariedade. As propostas que o PSD apresentou para os desempregados, era de pô-los a trabalharem ganhando menos que o valor do subsídio de desemprego para o qual descontaram e abaixo do Salário Mínimo Nacional. Não esquecemos o pomposo nome de “Tributo solidário”.

As propostas que criminalizavam a utilização dos falsos recibos verdes foram chumbadas pelo PSD tal como pelo PS.

Da mesma forma, PS e PSD chumbaram o tecto salarial para os gestores públicos, a tributação das grandes fortunas, das mais-valias bolsistas e imobiliárias.

Passos Coelho não tem, como não tem Sócrates, a cara lavada quando se trata dos cortes salariais, das pensões, do subsídio de desemprego, do abono de família ou das bolsas para os estudantes. Quando aprovou medidas nos PECs que cobram aos trabalhadores oito vezes mais do que ao sistema financeiro.

Apesar de PS e PSD protagonizarem todos os dias episódios de uma novela em que actores e argumento são parte da produção duma péssima “companhia”, os insultos que trocam apenas mascararam um programa comum. Um programa que nos afoga numa dívida que ninguém sabe de quanto é, nem como se paga.

Ambos nos indicam o caminho da Grécia mas todos sabemos os resultados, passado que foi um ano. Juros escandalosos de 20%, mais desemprego, pior cobertura na saúde, privatizações de bens essenciais. Este é o caminho da desistência.

O ar grave e circunspecto com que se apresentaram perante a troika demonstra bem que o programa é o do FMI, as medidas são mais cortes nos salários e no 13º mês, nas pensões, mais despedimentos, facilidades para os banqueiros que impuseram e tomaram claramente o partido do FMI.

No próximo dia 16 de Maio quando o ECOFIN reunir para decidir a situação de Portugal veremos qual a cara de Passos Coelho.

Em jogo no dia 5 de Junho estão as escolhas de quem apresenta alternativas.

Daremos a cara com toda a convicção por políticas que respondam ás pessoas, as propostas que nesta campanha iremos apresentar demonstrarão que desistência é palavra que não existe na alternativa de um governo de esquerda em Portugal.

Sim é possível mudar o futuro.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.
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