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Os 12 renegados

Foi um avanço positivo para as centenas de profissionais que veem a reposição dos seus direitos nos Açores, mas não deixa de ser estranho que entre as centenas de enfermeiras e enfermeiros que viram a sua situação resolvida, tenham ficado de fora 12 pessoas.

Foi debatida a proposta do Governo Regional que pretendia corrigir injustiças que se mantinham, na nossa Região, com a classe da enfermagem.

De forma resumida, em sede de Orçamento do Estado para 2018, foi estabelecido o descongelamento das carreiras e respetivas valorizações remuneratórias. Por cá, e durante estes anos, enfermeiras e enfermeiros não viram a sua situação resolvida. No entanto, e ao contrário do que o Governo Regional e os partidos que sustentam a coligação (PSD, CDS, PPM) afirmam, nem todas e todos enfermeiros viram a sua injustiça resolvida.

Houve a exclusão de 12 pessoas! Doze enfermeiras e enfermeiros que, à semelhança dos restantes, cuidaram do nosso bem-estar, da nossa saúde, mas que aos olhos dos atuais governantes e decisores políticos, não reuniram os critérios necessários para merecer a contabilização integral dos seus anos de serviço.

Sim, leu bem: 12! 12 pessoas que tiveram a infelicidade de durante anos trabalharem em contratos a prazo, anos de precariedade, a saltar de contrato em contrato...a prazo.

O Bloco apresentou propostas de alteração e bateu-se até ao limite para que todos as e os enfermeiros fossem incluídos na recuperação do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, mas a maioria de direita não lhes reconheceu o esforço, a dedicação, o trabalho e o empenho, optando por manter esta injustiça.

Foi, de facto, um avanço positivo para as centenas de profissionais que veem a reposição dos seus direitos, mas não deixa de ser estranho que entre as centenas de enfermeiras e enfermeiros que viram a sua situação resolvida, tenham ficado de fora 12 pessoas.

A cada dia que passa, a cada medida avançada pelo Governo e pelos partidos de direita, percebemos que a caça ao voto já abriu. Atuam em setores estratégicos, com pinças, procurando satisfazer aquelas e aqueles que lhes garantam um maior número de votos. Neste caso, é claro. Entre centenas e doze votos, foram às centenas.

Isto é vergonhoso e demonstra bem o modo de atuar desta coligação que não dá resposta a todas e a todos os açorianos.

Um Sistema Regional de Saúde com tanta carência de profissionais a estigmatizar pessoas pelo tipo de vínculo que tiveram o azar de ter, como se uns merecessem e outros não. Como se não trabalhassem todas e todos para o mesmo: a nossa saúde!

O Bloco de Esquerda votou favoravelmente à proposta do Governo, claro. Mas, não esquecerá as e os 12 enfermeiros que foram excluídos das “boas graças” de quem as e os governa.

Sobre o/a autor(a)

Deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores. Licenciada em Educação. Ativista pelos Direitos dos Animais. Coordenadora do Bloco da Ilha Terceira
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