Avizinham-se, uma vez mais, eleições para os Órgãos do Poder Local. No próximo mês de outubro, as e os portugueses são chamados às urnas para eleger os seus representantes nas Câmaras e Assembleias Municipais, assim como nas Juntas e Uniões de Freguesia. No entanto, esta semana não pretendo falar do futuro: voltemo-nos para o que foram os últimos quatro anos de governação em Barcelos.
A coligação de direita que governa o Município, liderada por Mário Constantino, procurou fazer deste mandato um ato contínuo de propaganda política. Ainda que o Executivo, mas também os deputados na Assembleia Municipal, exaltem e louvem o trabalho da Câmara, muitos dos problemas persistem. E, infelizmente para as e os barcelenses, as respostas à maioria dos problemas são parcas. Apresento dois exemplos, os quais, por motivos de limitação de espaço, não poderei aprofundar.
Quanto às Águas, um dos grandes temas do mandato que agora termina, a grande solução apresentada por PSD/CDS/BTF foi prolongar a privatização em 20 anos, até 2054. A manutenção da concessão do serviço de água e saneamento, um serviço essencial que devia ser assumido pelo Município, levou a um aumento brutal do preço. Enquanto o dinheiro sai dos bolsos da população, os acionistas enriquecem à nossa custa.
Quanto à mobilidade, o trânsito tem sido notícia pelas piores razões. Os congestionamentos têm aumentado, registando-se grandes dificuldades na circulação, especialmente em hora de ponta. É certo que o desenvolvimento da rede de transportes urbanos de Barcelos (TUBA) foi importante, mas é preciso ir mais longe. Desde logo, reforçar este serviço, requalificar as ligações ferroviárias, continuar a apostar na mobilidade suave e criar áreas de estacionamento gratuitas fora do centro urbano. Sublinhe-se, ainda, que a implementação de tarifas de estacionamento no centro da cidade não contribui para a redução do tráfego. As pessoas não irão deixar de se deslocar até à zona urbana, pelas mais variadas razões. Pelo contrário, terão que passar a pagar uma taxa por essa deslocação. Responder aos problemas da mobilidade exige uma solução bem pensada, a longo prazo, que, de facto, sirva as pessoas.
Os últimos quatro anos mostraram que a gestão da coligação de Mário Constantino não difere da governação do PS ou, mais distante, do PSD de Fernando Reis. A gestão local não se deve limitar a meros registos de contas ou em fazer (ou, como se viu em alguns casos, prometer) obras. Uma boa gestão autárquica pressupõe o envolvimento das e dos barcelenses no processo de tomada de decisão. A gestão autárquica tem de incluir os cidadãos, consultando-os quanto ao rumo que querem para o concelho. Limitar essa participação a um voto, de quatro em quatro anos, sem que os Órgãos procurem ouvir os cidadãos durante o mandato, é um erro. É preciso mudar.
O Bloco de Esquerda apresenta-se a estas eleições sabendo da urgência que temos, enquanto barcelenses, em obter respostas aos problemas que afetam o nosso dia-a-dia: desde os custos da água e do saneamento ao trânsito caótico, mas também do preço da habitação à crise que o setor têxtil vive, entre outros assuntos que passam pela construção do novo Hospital ou pelas barreiras sentidas na Cultura.
Apresentamos, como candidata à Câmara Municipal, a psicóloga Joana Neiva, uma voz jovem e envolvida nas causas sociais que afetam o nosso concelho. A sua eleição como representante desta esquerda comprometida com as reais necessidades dos munícipes será um importante contributo para o envolvimento dos cidadãos, defendendo o aumento da qualidade de vida em Barcelos. Para a Assembleia Municipal, a aposta é manter os dois primeiros candidatos que são, atualmente, deputados municipais e que têm assegurado um trabalho sério, reconhecido e combativo. Por fim, para as várias Freguesias, o Bloco está a desenvolver um intenso trabalho de constituição de listas.
Barcelos e os barcelenses precisam de mais e melhores respostas. Para isso, é necessário contar com as e os representantes que, de facto, melhor servem as populações. Só assim poderemos andar para a frente.
Artigo publicado no jornal Barcelos Popular a 24 de julho de 2025.