Desde o dia 28 de fevereiro que o mundo assiste, uma vez mais, a uma incursão dita “preventiva” dos Estados Unidos da América (EUA) e do Estado de Israel, com a participação de outros aliados, na Ásia Ocidental, desta feita, no Irão. Como tem sido apanágio dos EUA, trata-se de uma guerra assente em mentiras. Veja-se o facto de que ambos os países atacantes alegam que o Irão estaria a desenvolver armas nucleares, configurando um paralelo incontornável com os motivos para a invasão do Iraque, nomeadamente, a existência de armas de destruição em massa.
Trata-se de uma nova demonstração do poderio militar dos EUA, seguindo a política intervencionista de “polícia do mundo”, que o imperialismo americano sempre seguiu. Donald Trump cede, novamente, aos interesses israelitas e acompanha um ataque que viola o Direito Internacional e compromete a estabilidade mundial. A guerra com o Irão acontece poucos dias depois de os EUA atacarem ilegalmente a Venezuela, com o objetivo de roubar o seu petróleo, encapotado sob a alegação de que visavam mudar o regime.
Quando os misseis americanos caem em território iraniano e as bombas israelitas matam o povo libanês, quando o povo palestiniano continua a ser alvo de atrocidades, Trump dá uma nova força ao embargo comercial, económico e financeiro a Cuba, em vigor desde 1962, agravando as já difíceis condições de vida, ao impedir que combustíveis alcancem a ilha, mesmo que isso provoque a fome, a miséria e a morte do povo cubano.
Uma das consequências do ataque ao Irão é já sentida de forma bastante grave por todos nós – o aumento do custo de vida, com tendência a agravar-se à medida que o conflito se prolonga. Com a guerra, o Irão procedeu, estrategicamente, ao fecho do estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 25% do comércio petrolífero mundial. Os resultados estão à vista: uma subida sem precedentes do preço dos combustíveis, além do aumento dos custos nas cadeias de produção (o que levará ao aumento generalizado de preços).
Perante esta situação crítica, qual tem sido a reação do Governo português? Enquanto os EUA vão mobilizando as suas forças para as proximidades da Ásia Ocidental, Luís Montenegro, tal como Durão Barroso fez aquando da invasão do Iraque, tem sido complacente e mostra-se um aliado de quem comete atrocidades. O Governo garante que a Base das Lajes (Açores) permanece disponível para a mobilização de armas de guerra americanas que são utilizadas no ataque contra o Irão.
Face ao escalar dos preços dos combustíveis, o Governo recorre a uma manobra de diversão ao baixar o ISP sem que proceda à fixação de preços máximos dos combustíveis, como tem vindo a ser feito pelo governo espanhol. Esta medida é essencial para combater as práticas de cartelização deste setor económico, que se acentuam em momentos como o que vivemos, e que aumentam os lucros das petrolíferas. É de sublinhar que, em Portugal, o preço de uma botija de gás custa, sensivelmente, o dobro do que custa em Espanha, e a gasolina e o gasóleo subiram esta semana em Portugal, e desceram em Espanha.
Esta estratégia de distração ganha uma nova dimensão com a colagem do Governo de Luís Montenegro e do PSD, ao discurso racista, populista e homofóbico da extrema-direita, com o objetivo de alimentar a divisão da população, atacando duas comunidades altamente marginalizadas no país: os imigrantes e as pessoas trans. Enquanto atacam direitos e promovem a discriminação de setores sociais vulneráveis, o Governo procura distrair-nos do aumento de custos que se vive, e do qual também é responsável. A par disso, outros problemas, como a falta de investimento nos serviços públicos e os baixos rendimentos de quem vive do seu salário, vão-se fazendo sentir de forma gritante.
Ao invés de estar na linha da frente da procura pela paz, a incompetência de quem governa leva a que Portugal esteja do lado de quem começa guerras. Uma vez mais, as nossas mãos são manchadas com o sangue de inocentes, vítimas dos ímpetos bélicos dos senhores da guerra e do imperialismo.
Artigo publicado no jornal Barcelos Popular a 26 de março de 2026