O imperialismo gangster de Trump fraquejou

porDaniel Moura Borges

19 de abril 2026 - 14:19
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O imperialismo gangster de Trump fraquejou no Irão. Só conseguiu fragilizar-se internamente, mostrar a vulnerabilidade dos EUA face ao bloqueio do estreito de Ormuz, e fortalecer o regime iraniano, fragilizando a oposição democrática que estava mais forte do que nunca.

Quando Trump ordenou um golpe militar na Venezuela, escrevi um texto em que identificava as idiossincrasias do imperialismo de Trump. Um imperialismo que importa as táticas de extorsão dos gangsters, e que a administração estadunidense manteve no conflito com o Irão.

Não se pode dizer que a manutenção dessas táticas tenha tido sucesso neste novo conflito. Trump entrou no Irão sem objetivo aparente. Só Israel ganhou, ao usar o pretexto para bombardear o Líbano e tentar expandir a fronteira a norte. O presidente estadunidense balbuciou vários motivos e disse tudo e o seu contrário.

Sejamos generosos e digamos que se trata de uma tática de negociação, e não de um processo de crescente desligamento pessoal  de Trump com a realidade. Mesmo assim, não teve efeito para além de confundir os líderes europeus, que tiveram de se contorcer para continuar a desculpar a narrativa dos Estados Unidos da América.

Primeiro, Trump demonstrou a sua força ao bombardear intensivamente o Irão e matando Khamenei. Estava à espera de negociar e iniciar a sua extorsão, mas o regime iraniano imitou precisamente a sua tática: bloqueou o estreito de Ormuz, bombardeou infraestruturas energéticas nos países vizinhos e preparou-se também para negociar.

O impasse manteve-se e Trump foi buscar mais uma jogada ao crime organizado: percebeu que as suas palavras dirigiam os mercados e que conseguia imitar a lógica dos “combates viciados”. Quando queria que os mercados subissem, falava de paz. Quando queria que os mercados descessem, falava de guerra. E nessas jogadas, centenas fizeram milhões. E foi ele que o disse explicitamente.

Quando percebeu que não havia desbloqueio do estreito de Ormuz, voltou à chantagem e à extorsão. Primeiro mostrou a totalidade da sua loucura ao dizer: “Na terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo num só, no Irão. Abram a porra do estreito, seus malucos, ou vão viver no inferno — VÃO VER!”.

Na segunda-feira ao final da tarde escalou ainda mais, dizendo que “uma civilização inteira vai morrer esta noite”. Pode ter sido o toque final no processo para a negociação de um cessar-fogo, mas a verdade é que só conseguiu demonstrar que o controlo do estreito de Ormuz por parte do Irão é uma fragilidade brutal para os Estados Unidos da América. Entretanto, o regime iraniano também dita os termos do cessar-fogo e de um possível acordo de paz.

Agora, bloqueia o estreito faz bluff com a destruição mútua: "se eu não posso ter petróleo, vocês também não". Mas o imperialismo gangster de Trump fraquejou no Irão. Só conseguiu fragilizar-se internamente, mostrar a vulnerabilidade dos EUA face ao bloqueio do estreito de Ormuz, e fortalecer o regime iraniano, fragilizando a oposição democrática que estava mais forte do que nunca. E Israel continua a rir, matando no Líbano e expandindo o seu território à custa do presidente estadunidense.

Daniel Moura Borges
Sobre o/a autor(a)

Daniel Moura Borges

Militante do Bloco de Esquerda.
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