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O holocausto nuclear foi sempre possível

O uso de bombas nucleares esteve frequentemente em cima da mesa após Hiroxima e Nagasáqui. Em questões de bomba nuclear, não ponha as mãos no fogo por Putin nem por nenhum dos detentores da arma.

O uso de bombas nucleares esteve frequentemente em cima da mesa após Hiroxima e Nagasáqui, onde já fora motivada pela afirmação do poder político e não por imperativo militar. Sabe-se que esse risco existiu na crise cubana (1962) e descobriu-se que a hipótese nuclear também foi discutida na Casa Branca em 1972, através da gravação de uma conversa entre Nixon e Kissinger, revelada décadas depois, ao deixar de estar protegida pelo segredo de Estado. Nela, o presidente discutiu um plano para destruir os diques do Vietname:

“Nixon — [o bombardeamento dos diques] ... vai afogar a população? Kissinger — Cerca de 200 mil pessoas.

Nixon — Prefiro usar a bomba nuclear. Compreende, Henry?

Kissinger — Isso acho que seria demais.

Nixon — Porque é que a bomba nuclear o incomoda? Pelo amor de Deus, Henry, quero que pense em grande... O único ponto sobre o qual divergimos é em relação aos bombardeamentos. Você está sempre preocupado com as baixas civis...”

Não houve bomba nuclear. Mas, se a diferença que a pode decidir é o eventual conselho de um subordinado, isto é um susto: então, qualquer autocrata pode tornar-se um carniceiro. Em questões de bomba nuclear, não ponha as mãos no fogo por Putin nem por nenhum dos detentores da arma.

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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