Barroso está agora no palco maior da política internacional, mas quase não aparece na fotografia. Precisamente porque se mantém neste palco à custa de cumprir o seu mandato no apagamento de um cinzentismo burocrático. A lógica da batata dos mais poderosos na Europa faz com que Barroso continue a empurrar o seu destino para procurar aparecer nas fotografias. Onde estava em Copenhaga?
Barroso volta agora a ser uma notícia fugaz de consequências nefastas devido à autorização de, pela primeira vez desde 1998, cultivar um transgénico, neste caso uma batata transgénica comercializada pela BASF. Depois de ter sido corrido o anterior comissário para o ambiente que se opunha aos OGM, Durão abre o novo mandato simbolicamente com esta decisão que várias organizações ambientalistas denunciam como perigosa uma vez que a partir destas batatas os campos podem desenvolver a resistência aos antibióticos. O princípio de precaução a que apela parte da comunidade científica também não lhe chega aos ouvidos. E faz todo o sentido porque esta Europa é comandada pela lógica da batata das multinacionais e do lucro e porque está nos genes de Barroso querer continuar a agradar aos poderosos.