O acordo de tabela salarial feito na EDP por UGT e CGTP é escandaloso.
Os lucros do Grupo cresceram 16%, para 1.113 milhões de euros. Cada uma das 12.000 pessoas que labora no Grupo EDP ofereceu 57.917 € aos acionistas, para muitos milhares só os dividendos são o triplo do salário que receberam em todo o ano.
Apesar dos resultados altamente positivos da EDP, dos altíssimos salários das administrações, da valorização em 6,7% dos dividendos aos acionistas, a administração da EDP não quis repor salários pela perda da inflação nem considerar a altíssima produtividade por trabalhador para valorizar salários.
Mas se este será o “papel normal de uma administração”, anormal é a resposta conivente e subserviente dos sindicatos da CGTP e da UGT. Mais grave quando persistem num paradigma que prejudica os mais jovens e a divisão entre as pessoas: aumentos à percentagem e de apenas 1,4%.
Cerca de mil pessoas não chegam sequer a receber o aumento salarial do salário mínimo, 23€.

Às 41 bases salariais diferentes, junta-se um leque salarial gigante, distribuições de lucros aos quadros de topo muitíssimo generosas, uma perda regular de direitos…
As pessoas mais jovens ou recentemente admitidas voltaram a ser prejudicadas; não têm direitos como prémio de antiguidade, assiduidade, condução de viaturas, têm metade do desconto de energia, não têm acesso à mesma assistência médica...
Em rigor existem dois Acordos Coletivos de Trabalho, um para as pessoas mais antigas e outro para as mais novas. Tudo assinado por CGTP e UGT, agravando as diferenças geracionais!
Apenas o SIEAP (sindicato das indústrias, energias e águas de Portugal) tentou resistir na defesa de aumentos iguais para todos, pelo menos num valor mínimo de 30 euros e na tentativa da correção das injustiças que afetam as pessoas mais jovens. Após referendo aos sócios o SIEAP recusou-se a assinar.
Haja quem pratique a democracia, haja quem lute!