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O custo de vida aumenta, a CIP não aguenta!

É interessante ver o presidente da CIP, arauto da concorrência, queixar-se de que assim não pode concorrer.

António Saraiva lamentou-se que a energia “em Portugal não está competitiva. Sobretudo no que diz respeito aos preços da eletricidade”, em artigo publicado no “Dinheiro Vivo”i. “Não podemos concorrer sem preços competitivos de energia (…) este problema está a agravar-se de forma alarmante. As empresas que estão a negociar novos contratos estão a sofrer aumentos brutais da fatura elétrica”…

Será que o António vai exigir a nacionalização da EDP e da REN e pretender extinguir a neoliberal ERSE?

É interessante ver o presidente da CIP, arauto da concorrência, queixar-se de que assim não pode concorrer; um mensageiro da competição queixa-se da competição. E queixa-se da “subida dos custos das emissões, com o preço do carbono”!

Como eu fico triste com as dificuldades de António Saraiva!

Mas o patrão dos patrões tem uma exigência: quer que se “estabeleçam medidas compensatórias desta situação”. De onde, o defensor da diminuição do papel do Estado, quer que venham essas medidas? Do Orçamento do Estado! “Incompreensivelmente, a proposta de Orçamento do Estado para 2019 é totalmente omissa a este respeito”.

A minha alma está incrédula. O Estado não é aquele que é mau gestor? Não é aquele que não deve interferir no mercado, deixando-o funcionar livremente? Não é aquele que não deve interferir nas empresas, na concorrência, nas relações de trabalho?

Centeno escuta, o António está em luta. A manif da CIP mexe com a calma avenida…

As palavras de ordem ecoam: “Compensação das empresas com consumos intensivos de energia dos encargos resultantes dos custos das emissões de CO2”, “eliminação, no Orçamento do Estado para 2019, da extensão da contribuição extraordinária sobre o setor energético às energias renováveis”, “congelamento da prevista progressão de 10% para 25% da taxa de carbono, sobre o consumo de carvão na produção de eletricidade”...

O custo de vida aumenta, o fausto lucro do patronato não aguenta; na versão de um empresário habituado ao banquete orçamental é: “não descansarei enquanto o governo não olhar para este problema e perceber que é incomportável para o tecido empresarial português”.

Como eu fico triste com as dificuldades do pobre António Saraiva.

Será que Centeno deixará cansá-lo como está a tentar fazer aos funcionários públicos?


Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Energia e Águas de Portugal, SIEAP.
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