O Centro Académico Clínico e o futuro

porAntónio Lima

30 de abril 2026 - 13:53
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Na semana passada, foi aprovada por unanimidade a proposta do Bloco para a constituição de um Grupo de Trabalho para a criação do Centro Académico (CAC) dos Açores. A proposta surgiu depois de um alerta sério da Reitora da UAc: o processo de criação do CAC estava na estaca zero.

Na semana passada, foi aprovada por unanimidade a proposta do Bloco para a constituição de um Grupo de Trabalho para a criação do Centro Académico Clínico dos Açores. A proposta surgiu depois de um alerta sério da Reitora da UAc: o processo de criação do Centro Académico Clínico (CAC) estava na estaca zero. Ontem, foi publicado o despacho que constitui o desejado grupo de trabalho. Valeu a pena levar o assunto ao parlamento.

Os Centros Académicos Clínicos são estruturas de cooperação estratégica entre instituições de saúde, instituições de ensino superior e unidades de investigação científica que promovem a integração entre assistência clínica, formação e investigação.

Atualmente, existem 12 CAC em Portugal, de Trás-os-Montes ao Algarve. A Madeira encontra-se, desde 2022, a constituir o seu. Segundo a Reitora, a constituição dos CAC é essencial para a continuidade do curso de medicina na UAc.

No interior do país, é fácil notar que os CAC incluem não apenas uma unidade de saúde, mas um conjunto de hospitais e unidades de saúde. É bastante óbvio que, face à realidade regional, a articulação UAc–SRS seja feita com várias instituições de saúde.

Não podemos confundir este projeto com qualquer visão centralizadora de cuidados de saúde hospitalares no HDES, ou noutro qualquer local, de que discordo liminarmente. Tomara que o HDES fosse efetivamente requalificado e não nos tivessem imposto um remendo chamado “hospital modular”.

Os Açores precisam dos três hospitais, adequados à realidade onde se inserem e que prestem cuidados diferenciados de proximidade, tanto quanto possível. E não me venham com a ideia do CDS em tornar o centro de saúde da Ribeira Grande num hospital pequenino. Uma matreira e cínica ideia que pretende impedir que o HDES seja totalmente requalificado. Tomara também que o novo centro de saúde da Ribeira Grande saia do papel.

No parlamento, a Secretária Regional da Saúde levantou dúvidas em relação à existência de condições na Região para avançar com um CAC nos Açores. Perante estas dúvidas e perante os alertas da Reitora e do coordenador da Comissão de Elaboração do Plano Estratégico da UAc, Gualter Furtado, no sentido de se avançar urgentemente com o CAC, o Bloco requereu a audição da Reitora no parlamento, para que se esclareçam todas as dúvidas.

O que não podemos fazer é paralisar o desenvolvimento dos Açores, do SRS e da nossa UAc. Quando o mundo avança, não podemos ficar presos ao passado e às suas amarras. O futuro não espera.

António Lima
Sobre o/a autor(a)

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores
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